sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ray Charles - I Don't Need No Doctor (1966)


Esse post é minha homenagem pessoal - e infelizmente bastante tardia - a Ray Charles. Tentei de todas as maneiras encontrar o disco original dessa música, que foi lançada num single de 1966 com ela no lado A e "Please Say You're Fooling" no lado B, porém todos os meus esforços foram em vão. Obviamente isso nunca será lançado em cd, a não ser nas clássicas compilações "The Best of", "The Definitive" ou "The Complete" da vida, coisa que não postarei nesse blog dada a facilidade em adquiri-las. A essas alturas algum leitor mais curioso poderia perguntar-se "Mas por que cazzo tanta lenga-lenga em cima dessa música?", e a resposta é simples: foi com ela que aprendi a gostar - e realmente gostar - e Ray Charles. E me lembro ainda da ordem dos fatores, coisa que me deixa espantado com o bom estado de minha memória e que me faz por vezes duvidar da veracidade de algumas pesquisas anti-drogas; mas enfim, vamos a ela. Lá pelos idos de 1993, após chorar de rir no cinema com "Feitiço do tempo" - também conhecido por alguns como "O dia da Marmota" - e também de emocionar-me na parte romântica do mesmo embalado pelo clássico "You Don't Know Me", voltei à casa louco por conhecer mais sobre esse tal Ray. Vasculhando a modesta, porém seleta discografia do meu velho, que apesar da coleção completa do Julio Iglesias - coisa absolutamente compreensível devido ao longo tempo afastado da pátria-mae - tinha algumas pérolas por descobrir, encontrei uma coletânea do Ray. Dessas coletâneas bem chulés, que para venderem CDs mais baratos tem no máximo um dos grandes sucessos do autor - pra atrair o público, porque senão ninguém compra - e o resto geralmente são canções de pouco êxito comercial ou ainda gravações de baixa qualidade. E qual não foi minha surpresa quando escutei pela primeira vez a essa faixa. Agora posso parar e entender o ritmo fascinante que ele criou nessa mistura única de soul-gospel-jazz-blues, mas no momento a única coisa que conseguia era ouvi-la uma e outra vez, hipnotizado. A letra é boa, o ritmo é do caralho e a voz do cara é única. E ainda por cima ele era cego! Nao é a toa que todo mundo chamava ela de gênio. Pouco tempo depois meu primo pediu o cd emprestado e até hoje estou esperando que me devolva. Entre as tentativas de achar esse disco fui descobrindo versões de bandas tão heterogêneas como The Chocolate Watchband em 1969, Humble Pie em 1971, New Riders of the Purple Sage em 1972 e - pasmem! - a banda de metal W.A.S.P. em 1986. E mais atualmente, no disco "That's What I Say: John Scofield Plays the Music of Ray Charles" de 2005, aonde o grande guitarrista faz uma versao junto a John Mayer. Como tudo isso vocês podem achar por conta própria na internet ou comprando o cd, o vídeo abaixo é uma versão de dois malucos que achei do nada e me pareceu bastante honesto. Espero que gostem.