sábado, 5 de dezembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Muddy Waters – The Complete Plantation Recordings (1993)


Nessas primeiras gravações Muddy Waters tinha entre 26 e 27 anos, tocava de vez em quando e teve que pegar o violão de Alan Lomax emprestado porque não tinha um. Um bom blues, mais relaxado e bastante menos intenso que os clássicos gravados anos mais tarde para a Chess, aonde se pode apreciar suas influencias diretas dos blues do Delta e de Son House e deleitar-se com algumas das entrevistas originais feitas por Alan Lomax em sua expedição buscando a música americana por excelência.

01. Country Blues (1st Version)
02. Interview #1
03. I Be’s Troubled
04. Interview #2
05. Burr Clover Farm Blues
06. Interview #3
07. Ramblin’ Kid Blues (Partial)
08. Ramblin’ Kid Blues
09. Rosalie
10. Joe Turner
11. Pearlie May Blues
12. Take A Walk With Me
13. Burr Cover Blues
14. Interview #4
15. I Be Bound To Write To You (1st Version)
16. I Be Bound To Write To You (2nd Version)
17. You’re Gonna Miss Me When I’m Gone (1st Version)
18. You Got To Take Sick And Die Some of These Days
19. Why Don’t You Live So God Can Use You
20. Country Blues (2nd Version)
21. You’re Gonna Miss Me When I’m Gone (2nd Version)
22. 32-20 Blues

Baixe aqui e escute:

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Muddy Waters – Electric Mud (1968)


Esse é um dos mais interessantes discos de blues já produzidos, mas tome cuidado, não venha achando que vai escutar o blues puro eletrificado de seus outros discos porque vai ter uma surpresa, e bastante agradável em minha opinião. Nesse álbum Waters faz uma mistura bem louca entre o blues e o rock psicodélico dos anos 60, um disco conceitual ideado pelo filho de Leonard Chess, Marshall, e produzido por seu recém criado selo, Cadet Concept. Seis das oito canções do disco são clássicos de seu catalogo reinterpretados sob essa influencia como “I Just Want To Make Love To You”, “I’m Your Hoochie Coochie Man” ou “Mannish Boy”, e ainda encontramos uma cover de “Let’s Spend The Night Together” dos Rolling Stones. Levando em conta que muitos dos músicos de rock dos anos 60 beberam diretamente do blues, Muddy fez o caminho inverso deixando de lado qualquer tipo de purismo e dizendo abertamente como ele também pirou com a guitarra de Jimi Hendrix.

01. I Just Want To Make Love To You
02. I’m Your Hoochie Coochie Man
03. Let’s Spend The Night Together
04. She’s Alright
05. Mannish Boy
06. Herbert Harper’s Free Press News
07. Tom Cat
08. The Same Thing

Baixe aqui e escute:

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Muddy Waters – Fathers And Sons (1969)


Desde a ilustrativa capa, com a sugestiva aproximação entre deus e o homem – pai e filho – esse é um cd magistral, provavelmente o melhor dos projetos de aproximação entre gerações já gravado. As então já lendas-vivas do blues Muddy Waters e seu excelente pianista Otis Spann, junto ao veterano baterista Sam Lay, tocam juntos a três jovens músicos brancos e fãs incondicionais: Michael Bloomfield na guitarra, Donald “Duck” Dunn no baixo e Paul Butterfield na gaita. E o resultado é magnífico. E como se não bastasse, as últimas seis musicas desse disco foram tocadas pelos mesmos ao vivo no 24 de abril de 1969 num show em Chicago somente três dias depois de gravar as outras em estúdio.

1. All Aboard
2. Mean Disposition
3. Blow Wind Blow
4. Can't Lose What You Ain't Never Had
5. Walkin Thru The Park
6. Forty Days And Forty Nights
7. Standin 'Round Crying
8. I'm Ready
9. Twenty Four Hours
10. Sugar Sweet
11. Country Boy
12. I Love the Life I Live (I Live the Life I Love)
13. Oh Yeah
14. I Feel So Good
15. Long Distance Call (live)
16. Baby Please Don't Go (live)
17. Honey Bee (live)
18. The Same Thing (live)
19. Got My Mojo Working Pt.1 (live)
20. Got My Mojo Working Pt.2 (live)

Baixe e escute:

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Muddy Waters – Authorized Bootleg – Live at the Fillmore Auditorium – San Francisco (1966)


Aproximadamente 74 minutos divididos em 15 faixas selecionadas de 3 shows de Waters no Auditorio Fillmore de San Francisco no começo de novembro de 1966, junto a George Smith na gaita, Luther “Georgia Boy” Johnson e Sammy Lawhorn nas guitarras, Mac Arnold no baixo e Francis Clay na bateria, uma das melhores bandas de Muddy. Uma das diferenças encontradas nesse direto é a falta de um pianista, o que lhe dá uma interessante diferenciação aos demais. É blues puro e duro, tocado como deve ser tocado.

01. Forty Days And Forty Nights
02. I’m Your Hoochie Coochie Man
03. Rock Me
04. Baby Please Don’t Go
05. She Moves Me
06. Got My Mojo Working
07. You Can’t Loose What You Ain’t Never Had
08. Forty Days And Forty Nights
09. Baby Please Don’t Go
10. Thirteen Highway
11. Rock Me
12. Honey Bee (Aka Sail On)
13. Trouble No More
14. I’m Your Hoochie Coochie Man
15. Long Distance Call

Baixe e escute:

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Muddy Waters – At Newport (1960)


Quando pisou no cenário do festival de jazz de Newport em 1960 Waters já era o maior blueseiro vivo, mas foi com esse disco que influenciou diretamente o rock and roll que surgia, principalmente o British Rock – há quem diga que foi esse show que inspirou caras como Eric Burdon, Eric Clapton, Steve Winwood, Jeff Beck, Keith Richards ou Jimmy Page a tocar. A espetacular versão de “I’ve Got My Mojo Working” é um exemplo do incrível controle que exerce sobre seu potente vocal, fora clássicos como “I Got My Brand On You”, “I’m Your Hoochie Coochie Man” ou “Baby Please Don’t Go”, acompanhado por James Cotton na gaita, Otis Spann no piano, Pat Hare na guitarra rítmica, Andrew Stevenson no baixo e Francis Clay na bateria.

1. I Got My Brand on You
2. (I'm Your) Hoochie Coochie Man
3. Baby Please Don't Go
4. Soon Forgotten
5. Tiger in Your Tank
6. I Feel So Good
7. I've Got My Mojo Working
8. I've Got My Mojo Working, Pt. 2
9. Goodbye Newport Blues

Baixe aqui e ouça:

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Grandes Nomes do Blues 24 – Muddy Waters


McKinley Morganfield nasceu em abril de 1915 em Rolling Fork, Mississippi, e foi educado por sua avó Della Jones, que trabalhava na plantação Stovall em Clarksdale. Ainda pequeno deixou a escola, e a pesar de aprender a tocar a gaita aos nove anos foi um analfabeto funcional por toda sua vida.
Aos dez anos, Morganfield era um fazendeiro que nos fins de semana dedicava-se a ouvir música nos botecos locais ou pelo gramofone de sua avó. Aos treze começou a tocar sua gaita hipnotizado pelo “How Long Blues” de Leroy Carr, e ainda pôde ver ao vivo a Charley Patton e aos Mississippi Sheiks de Big Joe Williamson em Clarksdale. Em pouco tempo começou a apresentar-se pelos bares da cidade sob o apelido que havia buscado, Muddy Waters.
Em 1932 Son House deixava-se ver pelas espeluncas musicais da região e o jovem Muddy Waters cativou-se de tal forma que o músico ensinou-lhe a como deslizar por primeira vez seus dedos pelo violão que acabara de comprar. Waters também aprendeu de Patton e de seu grande amigo Robert Lee McCollum (posteriormente Robert Nighthawk) e pôde desfrutar dos shows de Robert Johnson em 1937. De fato, anos mais tarde Waters afirmaria que seu estilo era uma mescla das influencias de House, Johnson e inovações próprias.
Allan Lomax gravou a Muddy Waters na plantação de Stovall em agosto de 1941 e em julho de 1942, justo antes do mesmo decidir se mudar para Chicago para trabalhar com Jimmy Rogers. Em 1945 comprou sua primeira guitarra elétrica e em abril de 1947 debutava pela Aristocrat Records com músicas como “Gypsy Woman” ou “Little Anna Mae”, acompanhado por Sunnyland Slim no piano e Big Crawford no baixo. Da segunda sessão em 1948 saíram “I Can’t Be Satisfied” e “Feel Like Going’ Home”, que mesmo sem o êxito esperado lhe permitiram sonhar com uma carreira musical. O produtor de Muddy e proprietário da Aristocrat (que viria a ser a Chess Records) poupava o quanto podia na hora de contratar backup musical, e durante todo o ano de 1950 Muddy teve que se conformar com tocar exclusivamente com Crawford. Foi só em dezembro de 1951 que Little Walter, Rogers e Muddy gravaram juntos: o renovado blues de Chicago começava a ser desenhado.
Em 1952 Rogers apresentou Otis Spann a Waters, e os três, juntos com Walter, Willie Dixon e o baterista Fred Below se trancaram num estúdio até conseguir o maior single de Muddy, “I’m Your Hoochie Coochie Man”; esse clássico foi seguido por “Just Make Love To Me”, “I’m Ready” e “Mannish Boy”. Apesar de que os membros do grupo nem sempre foram os mesmos – Walter saiu em 1952, Pat Hare substituiu a Rogers em 1957, Dixon só aparecia esporadicamente e passaram uns quantos bateristas – o estilo de Muddy sempre seguiu uma linha constante.
Em 1958 o cantor inglês Chris Barber convenceu Muddy a fazer uma turnê pela Inglaterra, uma oportunidade de tocar para um grande público – coisa cada vez mais difícil nos EUA devido ao auge do rock and roll e ao limitado publico negro. A Bretanha dos anos 50 recebeu-lhe com muito entusiasmo sem dar ouvidos para as criticas que vinha recebendo por usar amplificadores, no que foi provavelmente a primeira vez que uma banda amplificada tocava Hard Rock por lá , ao ponto de fazer um dos críticos presentes ir escrever no banheiro incomodado pelo volume. Após o êxito, Waters convenceu Cyril Davis e Alexis Korner a voltar ao blues, fato que precipitou um ressurgir do mesmo nos anos 60.
Em 1959 Muddy tocou no Carnegie Hall de Nova York e no ano seguinte participou do Newport Jazz Festival, e a Chess não hesitou em gravar um disco seu, álbum importantíssimo para ele com “Got My Mojo Working” convertendo-se no hit que lhe alçou à fama. Em vinte anos, McKinley Morganfield deixou de ser um fazendeiro da plantação de Stovall e converteu-se em Muddy Waters, artista mundialmente conhecido. Continuou gravando, atuando e colaborando com outros até o fim de uma carreira cheia de prêmios e reconhecimentos ao homem que modernizou e inspirou o blues moderno. Uma parada cardíaca acabou com sua vida no dia 30 de abril de 1983.
Sua influência foi enorme dentro da música e em diferentes estilos, sendo até hoje versionada por inúmeras bandas dos mais variados estilos. Entre inúmeras historias, Waters ajudou Chuck Berry a conseguir seu primeiro contrato, os Rolling Stones devem seu nome a uma de suas músicas, e “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin está baseada na sua “You Need Love”.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um pouco de cinema...

O estranho caso da análise – Jekyll – e da crítica – Hyde.
Imanol Zumalde Arregi
Professor da Universidade do País Vasco, analista fílmico e autor de diversos estudos sobre o fenômeno cinematográfico.

Em tempos confusos, e essa pós-modernidade aonde nos resulta viver já indica proporções babélicas, acontecem coisas estranhas. Sem ir muito longe, hoje em dia chama-se de crítico de cinema qualquer um que apresente seu juízo na mídia sobre filmes recentemente exibidos em salas e festivais ou que emite um parecer sobre os filmes repescados pela televisão; porém, também são considerados críticos aqueles que tomam o tempo necessário para dissecar tranquilamente as variações temáticas e formais dos textos fílmicos. Em fim, por costume, preguiça, desconhecimento ou má-fé o crítico cinematográfico e o analista fílmico (e em muitas vezes o historiador de cinema também) compartem o mesmo espaço distraindo aos cinéfilos.

Esse tipo de deslize etimológico deriva do fato de serem disciplinas limítrofes que compartem espaços comuns, chegando às vezes a intercâmbios frutíferos; como por influência das versáteis rotinas de trabalho de escritores de cinema que passam a exercer de críticos e que pouco depois se convertem em analistas (e historiadores), sem continuidade e com as mesmas desenvoltura e ferramentas de trabalho. A partir disso não está demais que façamos o esforço de pôr certa ordem nesse espaço limítrofe compartido pela crítica e pela análise de cinema, mesmo sabendo que sobre esse tema não se pode traçar uma cartografia precisa.

A crítica cinematográfica é uma atividade palpitante, atual, que se digere quente, ao lado do marketing da mesma e de bate-pronto (em textos de média ou curta extensão, às vezes telegráficos) sem grandes bases teóricas e metodológicas. Isso porque a crítica tem uma função muito precisa que, além de trazer informações gerais sobre os filmes, consiste em mostrar e avaliar o que o espectador deveria assistir. Antes de qualquer outra eventualidade, a crítica leva a cabo um trabalho braçal selecionando o que considera interessante ou valioso, separando o joio do trigo, separando o que serve para “encher lingüiça” com a intenção de que o espectador economize tempo e dinheiro em seu consumo cinematográfico.

A crítica, por fim, expõe um juízo de valor mais ou menos racional sobre a qualidade estética, mas também ética, de determinado filme com a finalidade de facilitar ao espectador um guia que lhe permita navegar com critério seletivo e alguma garantia de prazer entre o marasmo de uma oferta audiovisual materialmente inabarcável. A crítica é uma atividade pessoal e intransferível, sujeita exclusivamente ao critério e às fantasias do gosto de quem a assina. O crítico, ao fim, se atira sobre a opinião pública outorgando-se o papel de fiscal do bom gosto. Mas quem lhe alçou a esse pedestal? Que autoridade tem esse fiscal? Em que tipo de leis ele se apóia? Qual o seu critério?

É evidente que os profissionais do juízo do gosto - como assim os define Laurent Jullier em O que é um bom filme? - controlam métodos de avaliação artística pouco rígidos. O próprio Jullier os classifica em seis, cada um mais volúvel e passageiro que o outro: êxito comercial, valor técnico, caráter edificante, poder emocional, originalidade e coerência. Poderia ser invocado o Canon, porém se existe algo que caracteriza a critica de cinema é exatamente sua apologia ao contracanon e à heterodoxia. Assim sendo, aonde recai o peso das provas desse fulminante juízo proposto pela crítica?

Mesmo que reconhecê-lo provoque certa vertigem, temo que a razão crítica descansa sobre a credibilidade do mesmo, sobre a confiança que seus veredictos precedentes conquistaram entre os interlocutores que o consideram uma pessoa de bom gosto e capaz de escolher aquilo que lhes pode gostar. O que nos revela que, no final, a crítica é um ato de fé.

Nesse extremo se estrangulam a crítica e o fator discordante que a separa da análise fílmica, dois discursos paralelos sobre o mesmo tema (o filme), mas com diferentes protocolos de atuação. Para começar, o analista fílmico não emite um juízo sobre o valor estético de um filme, mas o esmiúça, o divide, e o analisa na tentativa de explicar como diz o que diz. Conseqüentemente, na análise não há espaço para o impressionismo, para a subjetividade ou para a opinião pessoal, pontos básicos do discurso crítico, ao que o analista contrapõe o rigor metodológico, a fidelidade empírica e a verificação experimental, próprios do conhecimento cientifico. No que corresponde ao seu horizonte possível, a análise fílmica (discurso do Ser que emprega uma determinada metodologia para colocar em evidência a imanência de um artefato estético) é a inversão perfeita da crítica (discurso do Parecer que se apóia no gosto pessoal para expor um juízo). De onde se deduz que a legitimidade epistemológica da análise fílmica reside na sua metodologia, seus instrumentos e técnicas de exploração; num lugar externo ao artefato fílmico, ainda que sua missão se apóie em trazer à luz a lógica que existe sob seus particulares mecanismos de significação.

Isso não que dizer que a análise fílmica seja uma atividade rotineira, mecânica e infalível que se desenvolve impávida à margem das capacidades de um analista submetido à ditadura do método, como Chaplin na linha de montagem de Tempos Modernos. A análise fílmica também é, à sua maneira, um discurso em primeira pessoa, uma voz aonde vibra o tom de uma sensibilidade particular e intransferível, o resultado de uma perícia e de uma habilidade únicas.

Uma análise estuda um objeto (um filme ou vários) servindo-se de determinados instrumentos, e do analista depende a escolha de uns ou outros. Quando foca seu olhar num filme o analista não escolhe só um objeto concreto, mas o(s) problema(s) que nele transparecem. Um filme (como qualquer outro discurso) é um poço semântico sem fundo; o objeto da análise fílmica, ao contrario, é um risco intelectual singular que cobra virtualidade numa configuração precisa de sons e imagens quando explorada pela lente conceitual de uma metodologia.

A análise supõe uma intervenção reflexiva e pausada, avessa ao imediatismo e às urgências inerentes à crítica. É uma reflexão destilada que propõe uma hipótese sobre o funcionamento dos mecanismos internos de um filme. Essa hipótese deve ter coerência interna, fidelidade empírica e relevância cognitiva. Porém, gostaria de reivindicar a idéia de que quanto mais elegante seja essa hipótese (fato que tem a ver com a economia de seu raciocínio, sua profundidade e sua amplitude, assim como com sua originalidade) melhor será o exercício analítico.

A análise é também um argumento para ser desfrutado, um espaço de troca de conhecimentos direcionado ao gozo. Diante do discurso chamânico do crítico que promete prazer (ou sofrimento) na dose cinematográfica de todos os dias, o analista destrincha os artefatos fílmicos para iluminar os mecanismos audiovisuais que nos fazem pensar e sentir. Nesse sentido a análise fílmica não é somente o caminho mais curto a um novo saber, mas um dispositivo que funciona para potencializar o prazer.

“Agora que sabemos quem é você, sabemos também quem sou eu” diz Elijah Price (Samuel L. Jackson) a David Dunn (Bruce Willis) no final de Unbreakable (Night M. Shyamalan, 2000). Frente e verso de uma mesma moeda, a crítica de cinema e a análise fílmica só podem reconhecer a si mesmas com a condição de admitir a identidade do outro.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Blues

1. Most Blues begin, "Woke up this morning..."

2. "I got a good woman" is a bad way to begin the Blues, unless you stick something nasty in the next line like, "I got a good woman, with the meanest face in town."

3. Blues is simple. After you get the first line, repeat it. Then find something that rhymes... sort of: "Got a good woman with the meanest face in town. Yes, I got a good woman with the meanest face in town. Got teeth like Margaret Thatcher, and she weigh 500 pound."

4. The Blues is not about choice. You stuck in a ditch, you stuck in a ditch-- ain't no way out.

5. Blues cars: Chevys, Fords, Cadillacs, and broke-down trucks. Blues don't travel in Volvos, BMWs, or Sport Utility Vehicles. Most Blues transportation is a Greyhound bus or a southbound train, blues NEVER go on the northbound train. Jet aircraft and state-sponsored motor pools ain't even in the running. Walkin' plays a major part in the blues lifestyle. So does fixin' to die.

6. Teenagers can't sing the Blues. They ain't fixin' to die yet. Adults sing the blues. In Blues, "adulthood" means being old enough to get the electric chair if you shoot a man in Memphis.

7. Blues can take place in New York City but not in Hawaii or any place in Canada or Norway. Hard times in Minneapolis or Seattle is probably just clinical depression. Chicago, St. Louis, and Kansas City are still the best places to have the Blues. You cannot have the Blues in any place that don't get rain.

8. A man with male pattern baldness ain't the blues. A woman with male pattern baldness is. Breaking your leg cause you were skiing is not the Blues. Breaking your leg 'cause a alligator be chomping it is.

9. You can't have the Blues in a office or a shopping mall. The lighting is wrong. Go outside to the parking lot or sit by the dumpster.

10. Good places for the Blues:
a. highway
b. jail house
c. empty bed
d. bottom of a whiskey glass

Bad places for the Blues:
a. Nordstrom
b. gallery openings
c. Ivy league institutions
d. golf courses

11. No one will believe it's the Blues if you wear a suit, 'less you happen
to be an old person, and you slept in it for the last 6 months.

12. Do you have a right to sing the Blues? Yes, if:
a. you older than dirt
b. you blind
c. you shot a man in Memphis
d. you can't be satisfied

Not if:
a. you have all your teeth
b. you were once blind but now can see
c. the man in Memphis lived
d. you have a 401K or a trust fund

13. Blues is not a matter of color. It's a matter of bad luck. Tiger Woods
cannot sing the Blues. Sonny Liston could. Ugly white people also got a leg up on the Blues.

14. If you ask for water and your darlin' give you gasoline, it's the Blues.
Other acceptable Blues beverages are:
a. cheap wine
b. whiskey or bourbon
c. muddy water
d. nasty black coffee

The following are NOT Blues beverages:
a. Perrier
b. Chardonnay
c. Snapple
d. Slim Fast

15. If death occurs in a cheap motel or a shotgun shack, it's a Blues death. Stabbed the back by a jealous lover is another Blues way to die. So is the electric chair, substance abuse and dying lonely on a broken down cot. You can't have a Blues death if you die during a tennis match or while getting liposuction.

16. Some Blues names for women:
a. Sadie
b. Big Mama
c. Bessie
d. Fat River Dumpling

17. Some Blues names for men:
a. Joe
b. Willie
c. Little Willie
d. Big Willie

18. Persons with names like Michelle, Amber, Debbie, and Heather can't sing the Blues no matter how many men they shoot in Memphis.

19. Make your own Blues name Starter Kit:
a. name of physical infirmity (Blind, Cripple, Lame, etc.)
b. first name (see above) plus name of fruit (Lemon, Lime, Kiwi, etc.)
c. last name of President (Jefferson, Johnson, Fillmore, etc.)
For example: Blind Lime Jefferson, Pegleg Lemon Johnson or Cripple Kiwi
Fillmore, etc. (Well, maybe not "Kiwi")

20. No matter how tragic your life is: if you own a computer, you cannot sing the blues

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Fats Domino – Rock and Rollin’ / This Is Fats (1956)


Como toda estrela de rock dos anos 50, Fats fez-se famosos através de singles. De fato, Fats passou oito anos gravando singles para a Imperial Records antes de lançar seu primeiro LP em 1956. Aliás, uma das coisas mais interessantes desses dois discos - que os apresento aqui juntos, pois são compilações de músicas de um mesmo período - é notar que seu estilo não muda ao longo desses oito anos, que tiveram como inicio “The Fat Man” em 1949. Nesses discos encontramos algumas das melhores músicas de sua época mais rock’n’roll, desde as swingadas “My Blue Heaven” e “Careless Love” ao hipnótico ritmo de “Blueberry Hill” e a pegada de “Honey Chile”. Por muitos considerados dos melhores discos de rock’n’roll que o dinheiro pode comprar.

Rock And Rolling
01. My Blue Heaven
02. Swanee River Hop
03. Second Line Jump
04. Goodbye
05. Careless Love
06. I Love Her
07. I’m In Love Again
08. When My Dreamboat Comes Home
09. Are You Going My Way
10. If You Need Me
11. My Heart Is In Your Hands
12. Fat’s Frenzy

Baixe aqui e escute:

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This Is Fats
01. The Rooster Song
02. My Happiness
03. As Time Goes By
04. Hey La Bas Boogie
05. Love Me
06. Don’t Me Calling You
07. It’s You I Love
08. Valley Of Tears
09. Where Did You Stay
10. Baby Please
11. Thinking Of You
12. You Know I Miss You

Baixe aqui e escute:

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Fats Domino – Fats Is Back (1968)


Esse disco de 1968 não teve o enorme sucesso comercial esperado pela Reprise Records por ser seu primeiro disco de estúdio em anos, mas é um dos melhores exemplos do R&B de New Orleans que tem nele mesmo seu maior expoente. Além de novas canções próprias, nesse disco Fats nos presenteia com composições de James Broker – “One For The Highway”, uma das melhores do disco – e Barbara George, além de duas não tão felizes versões dos Beatles – “Lady Madonna” e “Lovely Rita”. Esse disco conta ainda com Richard Perry como produtor, que introduziu um background mais encorpado dando um pouco mais de peso às canções, ainda que às vezes um pouco demais. “Honest Papas...” e “Make Me Belong To You” são dois clássicos, e a regravaçao de “Wait Till It Happens To You” outro exemplo do excelente arranjo do R&B de New Orleans.

01. My Old Friends
02. I’m Ready
03. So Swell When You’re Well
04. Wait Till It Happens To You
05. I Know
06. Lady Madonna
07. Honest Papas Love Their Mamas Better
08. Make Me Belong To You
09. One For The Highway
10. Lovely Rita
11. One More Song For You

Baixe aqui e escute:

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Fats Domino – Fats (1971)


Esse disco nao foi nem mesmo lançado nos EUA e ainda hoje é um dos mais raros da discografia de Fats. Alias, as gravações desse disco podem até terem sido feitas anos antes... Ao fim e ao cabo, marca o reencontro entre Fats e seu antigo produtor Dave Bartholomew e se apresenta fazendo o que sabe de melhor, sentindo-se em casa.

01. I’m Going To Cross That River
02. Big Mouth
03. It’s A Sin To Tell A Lie
04. Wait Till It Happens To You (Version 2)
05. I’m Going To Help A Friend
06. The Lady In Black
07. Another Mule
08. When You’re Smiling
09. These Old Shoes
10. Lawdy Miss Clawdy
11. Work My Way Up Steady

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Fats Domino – Alive and Kickin’ (2006)


Dá pra acreditar que num disco de 2006 Fats possa soar tão bem quanto o fez 40 anos atrás? Ou até melhor, com a ajuda tecnológica de nossos tempos. Até sua voz soa tão forte como a tempos atrás. Não é nenhuma surpresa que esse disco seja classificado como um dos melhores dele, sendo comparado aos sensacionais “This Is Fats Domino” e “Fats Is Back”. E musicalmente encontramos uma mescla perfeita com instrumentos mais modernos, como sintetizadores e slide-guitar , que dão um toque de modernidade mas não deixam de soar como o Fats clássico.

01. Alive and Kickin'
02. Love You 'Til the Day I Die
03. I'll Be All Right
04. I Spent All My Money Loving You
05. Gimme Some
06. One Step At A Time
07. Home USA
08. Every Night About This Time
09. Four Leaf Clover
10. It Makes No Difference Now
11. This Is My Story
12. You Made Me Know
13. Ain't That A Shame

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Fats Domino – This is Fats Domino (1957)


“Blueberry Hill” foi escrita em 1940 por Vincent Rose mas somente em 1956 virou um sucesso, depois que Fats a modificou para um R&B up-tempo, vendendo mais de cinco milhões de cópias no mundo em pouco mais de um ano. A partir daí o interesse em Fats cresceu muito além de seu tradicional mercado R&B, e sua gravadora no momento – Imperial Records – não perdeu a oportunidade, lançando todos os discos seus que pudesse no menor espaço de tempo. “This Is Fats Domino” foi lançado em 1957 e rapidamente subiu ao Top 20 da Billboard alavancado pela inclusão de “Blueberry Hill” e “Blue Monday”, dois de seus grandes hits.

01. Blueberry Hill
02. Honey Chile
03. What’s The Reason
04. Blue Monday
05. So Long
06. La-la
07. Troubles Of My Own
08. You Done Me Wrong
09. Reelin’ And Rockin’
10. Fat Man’s Hop
11. Poor Poor Me
12. Trust In Me

Baixe aqui e ouça:

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Grandes Nomes do Blues 23 – Fats Domino


Antoine Domino Junior nasceu dia 26 de fevereiro de 1928 em New Orleans, Louisiana, o caçula de oito irmãos. Seu pai tocava violino com o grupo Fair Grounds Race Track de New Orleans. Ainda jovem estudou piano com Harrison Varett – membro da banda Papa Celestin – quem o assessorou e o animou a seguir adiante.
Durante sua adolescência continuou praticando e prestando atenção aos grandes do boogie-woogie como Meade “Lux” Lewis e Albert Ammons – aos que escutava nas jukebox dos bares – e aprendendo dos pianistas Charles Brown e Amos Milburn. Aos 16 anos já tocava em festas privadas e aos 17 juntou-se ao grupo de Billy Diamond, quem o batizou como “Fats”. Em 1949 converteu-se num habitué do Hideaway Club, coisa que lhe serviu para deixar-se ver e fazer contatos. Foi Dave Bartholomew, líder de um grupo local que também se apanhava como caça-talentos, quem convidou a Lew Chudd, dono de uma discográfica, ao Hideaway para ver Fats. Domino saiu daí com um contrato que lhe permitiu escrever canções junto a Bartholomew, agora seu produtor. Durante a primeira sessão, no 10 de dezembro de 1949, gravaram “The Fat Man”, uma versão do tema “Junker’s Blues” de Jack Dupree que Bartholomew havia camuflado com uma nova letra. A canção estourou, escalando até o segundo lugar das listas da Race Records da revista Billboard.
A partir de então, Fats formou seu próprio grupo à imagem e semelhança do de Bartholomew – alguns músicos incluídos – de forma que seu estilo teve como base sua voz, o piano e os solos de saxo tenor. Os arranjos musicais naqueles anos não divergiam muito de outras bandas de blues; agora, sua verdadeira marca distintiva reside no peculiar som de seu piano, que se fez patente com “Every Night About This Time” de 1950.
Como os êxitos foram se repetindo, Fats continuou trabalhando em New Orleans com os mesmos músicos. Em 1952 publicou “Goin’ Home” que subiu ao número um como antes o fizera com “Lawdy Miss Clawdy” de Lloyd Price, uma versão da música de Junker na qual Fats nos presenteava tocando o piano. O R&B de New Orleans se preparava para invadir o país e Fats Domino seria seu estandarte. Uma mostra disso foram duas de suas músicas que arrasaram em 1953, “Please Don’t Leave Me” e “Goin’ To The River” junto ao saxofonista Herb Hardesty - que lhe acompanharia em turnês ainda que depois compartindo palco com os solos de Lee Allen.
O rock’n’roll não chegaria até 1955, mas Fats Domino dominava o cenário, primeiro com três número um consecutivos – “Ain’t That A Shame”, “All By Myself” e “Poor Me” – e em 1956 outros três – “I’m In Love Again”, “Blueberry Hill” e “Blue Monday”. O estilo da banda de Fats mudou pouco com o tempo e quando hoje é questionado pelo rock’n’roll, afirma que seu estilo é R&B e que sempre foi assim. De fato, Fats Domino continuou tocando e pouco mudou desde que esteve na boca de todos há 50 anos, mas seu legado é tão importante que ele mesmo seria incapaz de tocar todos os seus êxitos em um só show. Em 2005 teve que mudar-se de sua adorada New Orleans vitima do furacão Katrina, sendo resgatado por helicóptero de sua casa inundada. Durante o período de sua ausência forçada, sua casa foi saqueada e de seus 21 discos de ouro só sobraram 3.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

RNE3 - Pioneros - Ray Charles


Bom, para finalizar a sessão Ray Charles do nosso querido blog decidi presentear os meus respeitados leitores com uma pérola, especialmente rara aos com difícil acesso às rádios espanholas. No link abaixo vocês terão a liberdade de descarregar os 13 programas que totalizam a série dedicada a Ray do programa Pioneros, que a Rádio Nacional Española emitiu até o ano passado. Pioneros dedicava uma série de programas (normalmente de 10 a 15) de aproximadamente 1 hora de duração cada a determinados músicos considerados pioneiros em seu estilo por seus realizadores, no qual tratavam de contar sua vida e carreira através de histórias e músicas. Obviamente o programa é em espanhol, mas acho que isso não deve ser um grande empecilho para sua compreensão no geral. Além de tudo, vale a pena baixá-lo só pra ouvir um pequeno detalhe: não sei se todos sabem, mas os espanhóis em geral têm um nível de inglês bastante lamentável, e por isso esse programa teve a genial idéia de antes de cada música soltar um trecho da mesma com uma espécie de tradução simultânea por cima. Isso que na maioria das vezes fica hilário – especialmente no programa dedicado aos Ramones –pensando bem depois das gargalhadas é uma idéia genial. Tenho certeza que infelizmente a maioria das pessoas não se preocupa em entender o que está dizendo a música que ouvem num outro idioma. Para os que quiserem saber mais sobre a rádio, que na minha modesta opinião é a melhor que existe por aqui, aqui ao lado vocês podem encontrar o link.

Confiram:
http://www.sendspace.com/file/84yo0g

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

John Scofield - That's What I Say (2005)


Já que mencionei no post anterior, vou disponibilizar para os leitores desse modesto blog o cd-tributo de John Scofield para Ray Charles. Ouvindo dá pra ter uma boa idéia da imensa influência do gênio na música que veio depois dele. Aproveitem.

1. Busted
2. What'd I Say
3. Sticks and Stones
4. I Don't Need No Doctor
5. Cryin' Time
6. I Can't Stop Loving You
7. Hit The Road Jack
8. Talkin' 'Bout You/I Got A Woman
9. Unchain My Heart (Part I)
10. Let's Go Get Stoned
11. Night Time is The Right Time
12. You Don't Know Me
13. Georgia On My Mind

Sente só:

http://www.zshare.net/download/9250574300222231/

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ray Charles - I Don't Need No Doctor (1966)


Esse post é minha homenagem pessoal - e infelizmente bastante tardia - a Ray Charles. Tentei de todas as maneiras encontrar o disco original dessa música, que foi lançada num single de 1966 com ela no lado A e "Please Say You're Fooling" no lado B, porém todos os meus esforços foram em vão. Obviamente isso nunca será lançado em cd, a não ser nas clássicas compilações "The Best of", "The Definitive" ou "The Complete" da vida, coisa que não postarei nesse blog dada a facilidade em adquiri-las. A essas alturas algum leitor mais curioso poderia perguntar-se "Mas por que cazzo tanta lenga-lenga em cima dessa música?", e a resposta é simples: foi com ela que aprendi a gostar - e realmente gostar - e Ray Charles. E me lembro ainda da ordem dos fatores, coisa que me deixa espantado com o bom estado de minha memória e que me faz por vezes duvidar da veracidade de algumas pesquisas anti-drogas; mas enfim, vamos a ela. Lá pelos idos de 1993, após chorar de rir no cinema com "Feitiço do tempo" - também conhecido por alguns como "O dia da Marmota" - e também de emocionar-me na parte romântica do mesmo embalado pelo clássico "You Don't Know Me", voltei à casa louco por conhecer mais sobre esse tal Ray. Vasculhando a modesta, porém seleta discografia do meu velho, que apesar da coleção completa do Julio Iglesias - coisa absolutamente compreensível devido ao longo tempo afastado da pátria-mae - tinha algumas pérolas por descobrir, encontrei uma coletânea do Ray. Dessas coletâneas bem chulés, que para venderem CDs mais baratos tem no máximo um dos grandes sucessos do autor - pra atrair o público, porque senão ninguém compra - e o resto geralmente são canções de pouco êxito comercial ou ainda gravações de baixa qualidade. E qual não foi minha surpresa quando escutei pela primeira vez a essa faixa. Agora posso parar e entender o ritmo fascinante que ele criou nessa mistura única de soul-gospel-jazz-blues, mas no momento a única coisa que conseguia era ouvi-la uma e outra vez, hipnotizado. A letra é boa, o ritmo é do caralho e a voz do cara é única. E ainda por cima ele era cego! Nao é a toa que todo mundo chamava ela de gênio. Pouco tempo depois meu primo pediu o cd emprestado e até hoje estou esperando que me devolva. Entre as tentativas de achar esse disco fui descobrindo versões de bandas tão heterogêneas como The Chocolate Watchband em 1969, Humble Pie em 1971, New Riders of the Purple Sage em 1972 e - pasmem! - a banda de metal W.A.S.P. em 1986. E mais atualmente, no disco "That's What I Say: John Scofield Plays the Music of Ray Charles" de 2005, aonde o grande guitarrista faz uma versao junto a John Mayer. Como tudo isso vocês podem achar por conta própria na internet ou comprando o cd, o vídeo abaixo é uma versão de dois malucos que achei do nada e me pareceu bastante honesto. Espero que gostem.

Ray Charles - The Blues Brothers (1980)

Já que fiz o mesmo com John Lee Hooker alguns posts atrás, nao poderia deixar de fazer o mesmo com o genio. Só pra conferir, Twist it (Shake Your Tail Feather), com a Blues Brothers Band e a sensacional coreografia na rua.

Mussum e os Originais do Samba

Eu sei que foge completamente do gênero dominante desse blog, mas não poderia deixar de postar a melhor definição que eu já ouvi até hoje de o que é uma paella. E isso não é brincadeira. Mussum e os Originais do Samba em 1972, antes deste converter-se num dos mais famosos humoristas da televisão brasileira.

domingo, 19 de julho de 2009

Ray Charles – Modern Sounds In Country And Western Music (1962)


18º disco de sua carreira, foi gravado em fevereiro de 1962 nos studios Capitol de Nova York e United em Hollywood e está repleto de country, folk e covers de clássicos da música western adaptados ao seu estilo particular, cheio de jazz e R&B e produzido por ele mesmo em parceria com Sid Feller. Sucesso de público e crítica, com esse disco Ray se fez popular tanto nas rádios de R&B como nas de country e chegou a vender meio milhão de cópias no ano de lançamento. Durante a gravação desse álbum, Charles converteu-se num dos primeiros músicos negros a ter controle total sobre seu trabalho, justo numa época aonde os direito civis - principalmente de negros e mulheres - eram conquistados na marra, e sua integração entre soul e country derrubou enormes barreiras musicais e esse disco é até hoje considerado um marco da música americana. Na mesma lista dos 500 melhores discos de todos os tempos da Rolling Stone citado anteriormente nesse blog, esse disco alcançou a posição de número 104. “I Can’t Stop Loving You” é o hit do disco, mas todas as outras músicas são iguais de belas e atemporais, e Ray deixa claro que pessoas que diziam que um negro não poderia contar country estavam erradas. Ele não enxergava as cores, e isso nunca lhe fez falta.

1.Bye Bye Love
2.You Don't Know Me
3.Half as Much
4.I Love You So Much It Hurts
5.Just a Little Lovin' (Will Go a Long Way)
6.Born to Lose
7.Worried Mind
8.It Makes No Difference Now
9.You Win Again
10.Careless Love
11.I Can't Stop Loving You
12.Hey, Good Lookin'
13.You Are My Sunshine
14.Here We Go Again
15.That Lucky Old Sun (Just Rolls Around Heaven)

Baixe e escute o country do gênio:

http://www.zshare.net/download/92505535fe2928bf/

Ray Charles – The Genius Sings The Blues (1961)


Último disco seu pela Atlantic Records e um dos melhores, uma compilação de doze blues gravados em varias sessões durante seu período na gravadora, aqui se pode ver o desenvolvimento de seu estilo combinando piano blues, jazz e R&B do sul, gravando musicas de T-Bone Walker – “Mr. Charles Blues” – ou de Big Maceo Merryweather – “Some Day, Baby”. O blues está por todos os lados, e a voz e o piano de Ray Charles são fantásticos.

1.Early in the Mornin'
2.Hard Times (No One Knows Better Than I)
3.The Midnight Hour
4.(Night Time Is) the Right Time
5.Feelin' Sad
6.Ray's Blues
7.I'm Movin' On
8.I Believe to My Soul
9.Nobody Cares
10.Mr. Charles' Blues
11.Some Day Baby
12.I Wonder Who

Baixe aqui e escute ao genio:

http://www.zshare.net/download/92505401b4030508/

Ray Charles – In Person (1959)


Disco ao vivo gravado no 28 de maio de 1959 numa noite chuvosa em Atlanta, Georgia, no Morris Brown College’s Herndon Stadium. Todos as faixas desse disco, juntos com as outras gravadas no disco “At Newport” (1958) – post anterior – foram lançadas em 1987 numa compilação intitulada “Ray Charles Live”. O show foi patrocinado pela estação de radio WAOK, cujo principal DJ, Zenas “Daddy” Sears, gravou o show desde a platéia usando um único microfone. Vale a pena conferir.

01. The Right Time
02. What'd I Say
03. Yes, Indeed
04. The Spirit Feel
05. Frenesi
06. Drown In My Own Tears
07. Tell The Truth

Baixe e escute:

http://www.zshare.net/download/92505289f4157747/

Ray Charles – At Newport (1958)


Disco ao vivo gravado no Newport Jazz Festival de 1958, um grande exemplo para os interessados nos seus primeiros anos de jazz. Abundam demonstrações de seu virtuosismo no piano e dos outros grandes músicos que o acompanham. Prestem atenção nas faixas “Blues Waltz”, “In a Little Spanish Town” ou “Talking ‘Bout You” e vocês verão o que é soul.

01. Night Time Is the Right Time
02. ln a Little Spanish Town
03. I Got a Woman
04. Blues Waltz
05. Hot Rod
06. Talkin' 'Bout You
07. Sherry
08. A Fool for You

Baixe e escute aqui:

http://www.zshare.net/download/92505193f72b384c/

Grandes Nomes do Blues 22 – Ray Charles


Ray Charles Robinson nasceu dia 23 de setembro de 1930 em Albany, Georgia. Cego desde os sete anos, foi educado na Florida School de St. Augustine, uma escola para surdos-mudos e cegos aonde estudou piano e aprendeu a ler partituras em braile.

Aos quinze anos foi expulso do colégio, vendo-se obrigado a viver da música em Jacksonville, Florida. Poucos meses após já tinha conseguido tocar em alguns locais pela cidade. Quando voltava a casa, impregnava-se da música country, gospel e blues que tocava no rádio, e graças às máquinas de discos dos bares conheceria aos seus dois principais modelos musicais: Nat “King” Cole e Charles Brown.

Nos dois próximos anos Ray tocou em diferentes bandas. Algumas vezes se encarregava dos arranjos, em outras tocava o saxofone ou escrevia as letras. Assim percorreu toda a Flórida, atuando por vez primeira em Tampa, tocando o piano e cantando num conjunto seguindo o modelo de Nat “King” Cole.

Incentivado por G.D. McKee, um guitarrista com o qual havia tocado em Tampa, Ray mudou-se a Seattle, Washington, em março de 1948 – uma viagem que durou 5 dias de ônibus. A dupla aproveitou o trabalho em abundancia que a cidade oferecia e debutaram pelo selo Downbeat Records (atualmente Swingtime). “Confession Blues”, uma de suas melodias, arrasou na primavera de 1949, e quem havia assinado como R.C. Robinson converter-se-ia assim definitivamente em Ray Charles. O dono da discográfica, Jack Lauderdale, lhe propôs montar uma banda com seu melhor intérprete, Lowell Fulson. Um dos grandes frutos de sua participação no espetáculo de Fulson, no qual atuou como pianista e vocalista de 1950 a 1952, foi o êxito “Baby, Let Me Hold Your Hand”, porém Lauderdale entrou num período de vacas magras e teve que vender o contrato de Charles para a Atlantic Records.

A primeira sessão de gravação de Ray Charles com seu próprio nome se deu em setembro de 1952 e o resultado foi um desastre, com um único tema com certa relevância (“It Should’ve Been Me”). Charles converteu-se então num solista buscando acompanhamento para sua música. No verão de 1954 formou uma banda para acompanhar a voz de Ruth Brown em sua turnê, depois da qual a banda continuou por conta própria. Em novembro Ray estava preparado para bater novamente à porta da Atlantic Records.

Tudo mudou no 18 de novembro de 1954 com “I Got A Woman”, tema inspirado numa canção gospel que pela primeira vez reunia toda a paixão e a força de Ray. Subiu ao número um das listas de R&B com esse que foi seu maior êxito na década. A próxima gravação foi outro número um, “A Fool For You”. Ray Charles chegou.

No final dos anos cinqüenta Ray Charles alçou vôo gravando jazz instrumental, blues, músicas inspiradas no gospel e um disco, “The Genius of Ray Charles”, acompanhado por uma grande orquestra. Depois de outros dois números um, “Down In My Own Tears” e “What’d I Say”, assinou um contrato com a ABC-Paramount no qual se reservava a propriedade de seu material e um controle artístico total. A partir daí não tinha mais volta: formou uma grande banda, criou seu selo próprio – Tangerine – e seguiu colecionando êxitos. Durante os anos sessenta e setenta editou jazz, pop, R&B, soul, country e western, ainda que nem sempre com o mesmo resultado. Nos anos oitenta recuperou importância graças à sua aparição no filme “The Blues Brothers” (1980) e à sua colaboração no projeto USA For Africa com “We Are The World”. Charles ganhou 12 Grammys e um Lifetime antes de morrer, em junho de 2004. Em seu disco póstumo “Genius Loves Company” (2004), gravou com numerosos artistas que arrasaram em quanto a vendas e ganharam múltiplos prêmios, ao mesmo tempo em que a bio-pic Ray (2004) ganhava um Oscar ao melhor ator – Jamie Foxx.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Memphis Slim – U.S.A. (1962)


U.S.A nos traz as últimas músicas gravadas por Slim para a United Records, que junto com “The Comeback” representam todas as que foram gravadas para esse selo em nada mais do que quatro sessões. Uma das figuras chaves para a qualidade das gravações foi outra vez o esplêndido Matt “Guitar” Murphy, que ainda ajudou nos arranjos e destrói em muitas das instrumentais. Esse disco merece estar na coleção de qualquer pessoa que goste de um bom e despretensioso blues.

01. Memphis Slim U.S.A.
02. Sassy Mae
03. Little Piece Of Mind
04. Gotta Find My Baby
05. Banana Oil
06. Blue And Lonesome
07. Two Of A Kind
08. She’s Alright
09. Blue All Around My Head
10. Wish Me Well
11. Four Years Of Torment
12. Gotta Find My Baby
13. Slim Was Just Kiddin’
14. Jive Time Bounce
15. Backbone Boogie
16. Memphis Slim U.S.A. (Alt take)
17. She’s Alright (Alt take)
18. Blues All Around My Head (Alt take)
19. Blue And Lonesome (Alt take)

Baixe aqui e escute:

http://www.zshare.net/download/925050151daedad9/

Memphis Slim – At The Gate of Horn (2003)


Magnífico, esse disco tem de tudo. Arranjos demolidores, boa qualidade de som e grandes músicas acompanhando sua profunda voz e seu imenso talento no piano. Aqui encontramos quase todos os seus melhores temas: “The Come Back”, “Blue And Lonesome”, “Sassy Mae”, “Mother Earth”, “Messin`Around With The Blues” e a poderosa “Rockin’ The House”. Só ficou faltando “Nobody Loves Me”. Ao contrario do que o título possa sugerir esse não é um disco ao vivo, mas sim uma gravação de estúdio de 1959 com Slim acompanhado pelo espetacular Matt “Guitar” Murphy e um par de saxofones, o que fez dele um dos melhores discos de blues da década de 50.

01. The Come Back
02. Steppin’ Out
03. Blue And Lonesome
04. Mother Earth
05. Slim’s Blues
06. Gotta Find My Way
07. Messin’ Around
08. Wish Me Well
09. My Gal Keeps Me Crying
10. Lend Me Your Love
11. Sassy Mae
12. Rocking The Blues

Baixe e escute:

http://www.zshare.net/download/92504885d916b2d4/

Memphis Slim – All Kinds of Blues (1961)


Disco solo provavelmente gravado pouco antes de sua imigração à Paris, esse é o terceiro de quatro albuns que Slim gravou para o selo Bluesville. Muitas das letras têm o duplo sentido que o caracterizou como compositor, como “Churnin’ Man” ou “If You See Kay” - cujo próprio título tem duplo sentido, leia pausadamente. “Blues is Troubles” é um “talking blues” que nos dá uma boa explicação do que é o blues, e ainda nos presenteia com três instrumentais, dois boogie woogies – estilo no qual era um mestre – e um slow blues. Memphis Slim foi um músico sensacional, sua voz é instantaneamente reconhecível e esse disco é uma boa amostra de seus talentos.

01. Blues is Troubles
02. Grinder Man Blues
03. Three-In-One Boogie
04. Letter Home
05. Churning Man
06. Two Of A Kind
07. The Blacks
08. If You See Kay
09. Frankie And Johnny Boogie
10. Mother Earth

Baixe e escute aqui:

http://www.zshare.net/download/9250478896f3addc/

Grandes Nomes do Blues 21 – Memphis Slim


John Lee Chatman nasceu em Memphis, Tennessee. Sob a influencia de Roosevelt Skyes, Slim formou uma rápida carreira em sua cidade tocando em cafés, bares e outros cenários pela zona da Rua Beale. Em 1937 mudou-se para Chicago aonde trabalhou com Big Bill Broonzy, gravou alguns discos e, após a Segunda Guerra Mundial, formou seu próprio grupo, os House Rockers. Com eles editou vários discos para diferentes gravadoras e colaborou com nomes como Matt “Guitar” Murphy e Willie Dixon. Entre 1948 e 1949 gravaria para o selo Miracle clássicos como “Messin’ Around” e “Blue And Lonesome”.

Slim foi um músico prolífico, um pianista de primeira e um compositor que escreveu a maioria de suas letras, incluindo a inúmeras vezes versionada “Nobody Loves Me”, que todo mundo menos Slim a chamam de “Every Day I Have The Blues”. Em 1962 foi um dos participantes do American Folk Blues Festival, experiência que lhe foi tão boa que lhe fez mudar a Paris para viver, aonde permaneceu até o fim de sua vida.

sábado, 30 de maio de 2009

T-Bone Walker – T-Bone’s Blues (1959)


Originalmente lançado pela Atlantic em 1959, com 11 faixas gravadas entre 1955 e 1957, essa reedição de 1994 possui ainda 4 faixas bonus, entre elas “Why Not” – que posteriormente Jimmy Rogers regravaria mudando o título para “Walkin’ By Myself” e roubando os créditos para si – e uma inspiradíssima reverência a Leroy Carr na regravação de “How Long Blues”. Talvez o melhor disco gravado por Walker, suas faixas são quase que inteiramente regravações de músicas suas dos anos 40 com uma banda de apoio que contava com ninguém menos que Junior Wells, Jimmi Rogers, Ransom Knowling, Lloyd Glenn, John “Plas” Johnson Jr., Edward Chamblee, Mack Easton e Earl Hines. Além de um elenco de luxo como esse, a voz e a guitarra de Walker são soberbos. É só escutar aos seus inspirados solos em “Blues For Marili”, “Mean Old World”, no clássico “T-Bone Blues” ou “Papa Ain’t Salty”, nos deliciosos duetos com Little Walter Jacobs de 1955 em “Play On Little Girl” e “T-Bone Blues Special”, e na espetacular regravação de “Call It Stormy Monday” aonde consegue recapturar a essência a gravação original de 1947 com maior fidelidade. E ainda por cima podemos escutar na instrumental “Two Bones And A Pick” o duelo de Walker com R.S. Rankin e com o jazzman Barney Kessel. Um disco essencial para qualquer coleção de blues elétrico.

01- Papa Ain`t Salty
02- Why Not
03- T-Bone Shuffle
04- Play On Little Girl
05- T-Bone Blues Special
06- Mean Old World
07- T-Bone Blues
08- Call It Stormy Monday
09- Blues For Marili
10- Shufflin’ The Blues
11- Evening
12- Two Bones And A Pick
13- You Don’t Know What You’re Doing
14- How Long Blues
15- Blues Rock

Baixe e escute:

http://www.zshare.net/download/92500364f789fcef/

T-Bone Walker & B.B. King

Aniversário do B.B. King - Convidado especial: T-Bone

segunda-feira, 25 de maio de 2009

T-Bone Walker – Stormy Monday – The Complete Black & White Sessions (2004)


CD duplo com 48 faixas das gravações feitas por Walker para a falecida Black & White nos anos quarenta. Aqui se pode apreciar a fase mais importante da evolução de Walker como artista, aonde ele aperfeiçoou seu estilo de tocar a guitarra convertendo-se numa importante influência para todos os guitarristas de B.B. King pra baixo. Podemos também ver aqui sua transição do jazz a um jump blues mais orientado ao R&B, sendo ele um músico chave nesse estilo. Essas sessões – que incluem a gravação original de sua famosíssima “Call It Stormy Monday” – nos dão uma ótima introdução ao som de Walker e pode-se facilmente verificar o quão forte foi sua influência sobre o blues, o jazz, e mesmo o rock que veio depois.

Cd-1

01. Long Lost Lover Blues
02. Go Back To The One You Love
03. She Had To Let Me Down
04. Lonesome Woman Blues
05. T-Bone Jumps Again
06. T-Bone Shuffle
07. Misfortune Blues
08. Call It Stormy Monday But Tuesday Is Just As Bad
09. Don't Give Me The Runaround
10. Plain Old Down Home Blues
11. The Time Seems So Long
12. No Worry Blues
13. Dream Girl Blues
14. Long Skirt Baby Blues
15. That's Better For Me
16. Home Town Blues
17. I'm Still In Love With You
18. She's The No-Sleepin'est Woman
19. Triflin' Woman Blues
20. Hard Pain Blues
21. I'm In An Awful Mood
22. Wise Man Blues
23. Natural Blues
24. Inspiration Blues
25. Born To Be No Good

Cd-2

01. West Side Baby
02. Hypin' Side Baby
03. You're My Best Poker Hand
04. Description Blues
05. Don't Leave Me Baby
06. She's My Old Time Used To Be
07. I'm Waiting For Your Call
08. Bobby Sox Baby
09. First Love Blues
10. It's A Lowdown Dirty Deal
11. Midnight Blues
12. I'm Gonna Find My Baby
13. I Wish You Were Mine
14. I Want A Little Girl
15. Vacation Blues
16. Goodbye Blues
17. On Your Way Blues
18. I Know Your Wig Is Gone
19. I'm Gonna Move You Out And Get Somebody Else
20. Too Much Trouble Blues
21. So Blue Blues
22. Prison Blues
23. That Old Feelin' Is Gone

Baixe aqui e escute, bem alto:

http://www.zshare.net/download/9250016839ca6b38/

Grandes Nomes do Blues 20 – T-Bone Walker


Aaron Thibeaux Walker nasceu em Linden, Texas, no 28 de maio de 1910 e foi o único filho de Rance e Movelia Walker. Em 1912 a família se mudou a Dallas, aonde o jovem Aaron serviria de guia a Blind Lemon Jefferson pelas ruas da cidade antes de aprender a tocar a guitarra e se perder com artistas ambulantes durante os anos vinte. Até 1929, ano em que debutou pela Columbia com “Trinity River Blues” e “Wichita Falls Blues” assinando com o pseudônimo de Oak Cliff T-Bone (sendo T-Bone um jogo fonético de seu próprio sobrenome).

Walker tinha trabalhado localmente com Cab Calloway e Ma Rainey antes de partir em direção a Los Angeles em 1934 e buscar a vida: o primeiro passo foi formar um grupo para tocar no Little Harlem Club. O segundo passo foi gravar uma música (“T-Bone’s Blues”) com o grupo e acompanhado pela orquestra Les Hite antes de sair de turnê por Chicago e Nova York entre 1939 e 1940. De volta, modificou seu grupo e seguiu tocando para o Little Harlem Club. Já em 1942 compareceu a estúdios de gravação com sua guitarra para colaborar com a orquestra de Freddie Slack, e, acabadas as sessões, os responsáveis do selo Capitol Records decidiram gravar mais duas músicas: “Mean Old World” e “I Got A Break Baby”. Uma decisão acertada, pois a carreira de Walker viu-se relançada, permitindo-lhe seguir com suas turnês, tocar em clubes exclusivos para brancos em Washington, parar freqüentemente de 1942 a 1945 na sala Rhumboogie de Chicago, e ainda voltar a gravar, em 1945, para os selos Rhumboogie e Mercury.

Em setembro de 1946, pelas mãos do produtor Ralph Bass, Walker assinou um contrato exclusivo com o selo Black & White que o levaria a gravar, em 15 meses, 49 títulos entre os quais se encontram os mais importantes de sua carreira, como “Call It Stormy Monday” ou “T-Bone Shuffle”. Além disso, suas revolucionárias atuações o ajudaram a triunfar, especialmente por excentricidades como tocar a guitarra por trás da cabeça ou cuspir no palco. Em 1948 as vendas foram interrompidas devido à segunda greve da AFM, mas como não tinha parado de gravar anteriormente, 1950 foi um ano prolífico para ele. Lamentavelmente, seu selo – Black & White – não agüentou e quebrou, e os direitos de Walker foram adquiridos pela Capitol Records.

Na primavera de 1950, Walker decidiu-se pela Imperial Records e, dos 52 títulos que gravaria para esse selo nenhum chegaria às listas nacionais, mesmo sendo um trabalho de indiscutível qualidade. O mesmo aconteceu em 1955 com a Atlantic: nenhum êxito relevante, mas uma música memorável. Instalou-se em Los Angeles e continuou fazendo turnês.

Em 1962 Walker participou no American Folk Blues Festival, uma série de shows pela Europa que lhe serviram para mais tarde cercar-se de colaboradores, o que lhe permitia cruzar o Atlântico com freqüência. Era uma figura nos EUA e também na Europa, aonde chegou a gravar para diversos selos e em diferentes países: o álbum Good Feelin’ (1969) publicado pela Polydor ganhou um Grammy em 1970. Continuou dedicando-se à música até pouco antes de morrer.

Walker não despontou como cantor de blues, mas tinha as qualidades de um bom “crooner”; destacou-se por sua arte com a guitarra: seu som, suas frases pausadas e sua habilidade com a edição são as características de um estilo que foi referência indispensável para quase toda a geração de guitarristas do pós-guerra, coisa que Walker jamais haveria sequer sonhado. Foi o intérprete mais prestigioso do novo som que estava sendo gestado nos anos quarenta, uma fusão entre o beebop e o blues que deu lugar a alguns híbridos apaixonantes. Sua forma de tocar a guitarra era blues, porém de uma forma parecida ao jazz, com notas articuladas de forma precisa como um trompete de jazz. Suas raivosas improvisações de acordes, repetidas freqüentemente pelos metais, tiveram uma legião de imitadores, mas poucos conseguiram reproduzir seus fraseio impecável e a profundidade dos monólogos de sua guitarra.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

John Lee Hooker - Boom Boom

Cena extraída do fantástico filme The Blues Brothers, de 1980, aonde, no caminho para resgatar a Matt "Guitar" Murphy das guarras de sua dominadora mulher - no caso ninguém menos que Aretha Franklin - Jake e Elwood se deparam com uns caras tocando na rua, assim como a coisa mais normal do mundo. Nem mesmo o roteirista do filme - o próprio Dan Aykroid - encontrou uma palavra melhor para descrever tal experiência além de um singelo e reverente "Yeap!". Espetacular também o nome do restaurante de Aretha e Murphy, "Soul Food Café", e a briga final pela autoria da música.

Big Joe Turner - Shake, Rattle And Roll

Um vídeo com a conhecidíssima música de Turner, popularizada posteriormente por Bill Haley e seus cometas - um branco, obviamente. Esse é o começo do que hoje conhecemos como rock.

Big Joe Turner – Rock’N Roll Legend (2008)


Ultima coletânea lançada mostrando sua tremenda influência no que viria a ser o Rock’N Roll que todos conhecemos. Sem mais explicações.

01. Shake Rattle & Roll
02. Honey Hush
03. Flip Flop And Fly
04. Boogie Woogie Country Girl
05. Chains Of Love
06. Lipstick Powder And Paint
07. Rock A While
08. Corinne Corrina
09. Love Roller Coaster
10.Teenage Letter
11.Feeling Happy
12.Midnight Special Train
13.Hide And Seek
14.Ti-Ri-Lee
15.In The Evening (When The Sun Goes Down)
16.Well All Right
17.You Know I Love You
18.Don't You Cry
19.The Chicken And The Hawk
20.Married Woman
21.Oke-She-Moke-She-Pop
22.The Chill Is On
23.Sweet Sixteen
24.TV Mama
25.Cherry Red
26.Low Down Dog
27.Morning Glories
28.Roll 'em Pete

Baixe e escute aos primórdios do bom e já velho rock:

http://www.zshare.net/download/9249927986911dfa/

Big Joe Turner – Roll’Em (1995)


Editado pela coletanea “The Blues Collection”, esse disco reúne alguns dos clássicos de Big Joe do início de sua carreira, mais especificamente de 1939 a 1949, junto ao grande pianista de boogie Pete Johnson e gravados por vários selos como Vocalion, Varsity, Stag, Decca e MGM. Uma boa introdução para esse gigante da música.

01. Roll 'Em Pete
02. Baby, Look At You
03. Lovin' Mama Blues
04. Cafe Society Rag
05. Shake It And Break It
06. Goin' Away Blues
07. Cherry Red
08. How Long, How Long Blues
09. Low Down Dirty Shame Blues
10. Joe Turner Blues
11. Beale Street Blues
12. I Got A Gal For Every Day In The Week
13. It's The Same Old Story
14. Around The Clock
15. Married Woman Blues

Baixe e escute:

http://www.zshare.net/download/92499149a4932cfc/

Big Joe Turner & Roomful of Blues – Blues Train (1982)


A combinação da portentosa voz de Big Joe com o swing da banda Roomful of Blues nos presenteia um belíssimo disco repleto de grandes interpretações de clássicos, que conta ainda com a participação mais do que especial de Dr. John em “I Want A Little Girl”. Turner, que navegou por tantas águas – Kansas City Swing, Jump Blues, Rhythm and Blues e, porque não, do Rock’n Roll em seus primórdios – é um shouter espetacular e, aos seus 72 anos sentiu-se inspirado pela oportunidade de gravar com os Roomful of Blues reinterpretações dos clássicos que compõem esse álbum seminal. Os músicos que acompanharam Turner ao longo de sua carreira sempre foram do mais alto nível, e esse disco segue a regra. Como ele mesmo sempre diz, “well all-right!”

01. Crawdad Hole
02. Red Sails In The Sunset
03. Cock-A-Doodle-Doo
04. Jumpin’ For Joe
05. I Want A Little Girl
06. Blues Train
07. I Know You Love Me
08. Last Night
09. I Love The Way (My Baby Sings The Blues)

Baixe e escute ao trem do blues:

http://www.sendspace.com/file/vd2349

Grandes Nomes do Blues 19 – Big Joe Turner


Joseph Vernon Turner nasceu dia 18 de maio de 1911 em Kansas City, Missouri. Abandonou o colégio na primária para trabalhar na rua junto a músicos cegos que lhe impregnaram do blues que se respirava no ambiente da cidade, e que o levaram a compor suas próprias letras – apesar de Turner ter sido analfabeto funcional e de jamais aprender a ler ou escrever corretamente.

Quando adolescente afirmava ter estudado a Leroy Carr, Lonnie Johnson, Bessie Smith e Ethel Waters, e com 17 anos já tinha atuado junto a Pete Johnson no Backbiter’s Club. Como não existiam microfones na época, reza a lenda de que sua portentosa voz se podia ouvir a dez quarteirões de distancia. Nascia assim um novo tipo de cantor de blues: o blues “shouter”.

No começo dos anos trinta, Turner e Johnson se mudaram ao Black and Tan, o club aonde Turner se aproveitaria para aprender a como administrar um bar. Quando, em 1933, aboliu-se a Lei Seca, a dupla foi ao Cherry Blossom, um lugar maior com pista de dança e a orquestra de George E. Lee incluída. Durante esse período ambos aproveitaram para conhecer a Omaha e St. Louis. Em 1935 voltaram a transladar-se – dessa vez ao Sunset Café – ao lugar aonde John Hammond lhes ouviria e terminaria por convidar-lhes a participar do show Spirituals To Swing em Nova York. Tamanha vitrine lhes permitiu juntar forças com Albert Ammons e Meade “Lux” Lewis e começar um período de quatro anos na casa de espetáculos Café Society, especializada em música negra. Johnson e Turner estrearam para a Vocalion, porém Joe terminaria por mudar-se à Deca em 1940. As bandas de jazz lutavam por tocar com Turner, que colaborou com Varsity Seven, Benny Carter, Joe Sullivan e Art Tatum, e que ainda soube cercar-se de pianistas como Sammy Price ou Willie “The Lion” Smith para gravar seus próprios discos.

No verão de 1941 Turner foi a Los Angeles para participar do musical Jump For Joy de Duke Ellington. Turner aderiu-se ao espetáculo já estreado, mas Ellington tinha lhe preparado um blues para cantar quanto chegasse: “Rocks In My Bed”. O musical durou até o final de setembro e esse foi o ato central que Turner interpretou e que lhe permitiu voltar ao Café Society de Nova York.

Foi contratado pela National Records em 1945 e gravou em Nova York, Chicago e Los Angeles acompanhado de pequenos grupos, que geralmente incluíam sopros. Entre 1947 e 1948 gravou sessões na Califórnia para os selos Aladdin, Swingtime e MGM. Instalou-se em Nova Orleans no final dos quarenta até assinar um contrato com a Atlantic Records e começar assim seu período de máxima popularidade.

Os sócios da Atlantic – Ahmet Ertegun e Herb Agrahamson – pressentiram que Turner poderia prosperar no R&B, um gênero que cativava à audiência negra. Efetivamente, Turner não decepcionou lançando sucessos como “Chains Of Love”, “Honey Hush” ou “Shake, Rattle & Roll”, e preparando seu salto definitivo do blues ao imediato Rock’n Roll. Gravou em Chicago (acompanhado pela guitarra de Elmore James) e em Nova Orleans, e mais freqüentemente em Nova York, com arranjos de Jesse Stone. A Atlantic aproveitou ainda para reunir Turner e Pete Johnson num disco de jazz: The Boss Of The Blues (1956). A parceria com a Atlantic durou até 1961, e depois disso Turner gravou por sua conta com outros selos.

Mudou-se para o sul da Califórnia durante os anos cinqüenta e dificilmente saía do estado para atuar, pelo menos nos EUA, pois se converteu num “habituè” do circuito europeu nos anos sessenta. Finalmente, Norman Granz e o selo Pablo reconduziram a carreira de Turner ao editar com regularidade – e até sua morte – vários LP junto a estrelas do jazz como Count Basie. O filme Last Of The Blues Devils (1979) – uma reunião de bluesistas de Kansas City dos anos trinta e quarenta – está repleto de canções suas. Foi nominado ao Grammy por seu disco Blues Train (1982) editado pela Muse e gravado pelo novo grupo de New England, Roomful of Blues.

domingo, 17 de maio de 2009

John Lee Hooker – The Healer (1989)


Esse álbum pode ser considerado o renascimento de Hooker no blues moderno. É um disco espetacular para qualquer apreciador de blues ou mesmo de rock, e conta com colaborações mais que especiais de grandes nomes da música como Carlos Santana na faixa título – com esse toque latino que só a guitarra de Santana consegue dar – Bonnie Rait em “I’m in the Mood” – uma das melhores parcerias de Hooker na minha singela opinião; essa música é espetacular, e o jogo de vozes entre os dois faz dela melhor ainda – Los Lobos em “Think Twice Before You Go” é blues em estado puro, George Thorogood em “Sally Mae” – uma pérola acústica – Robert Cray em “Baby Lee”, Canned Heat em “Cuttin’ Out” e Charlie Musselwhite em “That’s Alright”. Um disco suave, romântico, clássico, com uma qualidade musical excepcional e a inconfundível voz de Hooker como linha maestra em todas as faixas mostrando ter envelhecido como um bom whisky, para ser bebido com o respeito devido.

Baixe e escute ao “curandeiro”:

http://www.zshare.net/download/92498716afe40399/

quarta-feira, 13 de maio de 2009

John Lee Hooker – It Serves You Right To Suffer (1966)


Só pelo título esse disco já deveria ser considerado um clássico desde seu lançamento. Não existe título mais blues que esse. Mas, como diriam os roteiristas dos comerciais de televendas, não é só isso. Originalmente lançado pela Impulse em 1966, esse álbum contém blues de primeira qualidade impregnado com o “boogie groove” que só ele sabia fazer. O tempo avançado de “Shake it Baby”, o ritmo justo e relaxado de “Country Boy”, a dançante “Bottle Up & Go”, a sexy “Sugar Mama” e o tão conhecido mood de Hooker na faixa título são o suficiente para fazer desse disco um dos grandes do blues. E ainda tem Money...

01. Shake it Baby
02. Country Boy
03. Bottle Up And Go
04. You’re Gone
05. Sugar Mama
06. Decoration Day
07. Money (That’s What I Want)
08. It Serves You Right To Suffer

Não preciso falar mais nada… Baixa e escuta você mesmo…

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The Hot Spot – Original Motion Picture Soundtrack (1990)


Miles Davis, John Lee Hooker e Taj Mahal juntos no mesmo disco... Não sei se preciso continuar escrevendo... Bom, antes de mais nada, deve-se levar em consideração que isso é a trilha sonora de um filme, e todas as músicas foram pensadas e compostas com esse fim. Geralmente não gosto de trilhas sonoras. Me atreveria dizer que posso contar nos dedos das mãos as que considero realmente boas. Mas ainda assim é uma mistura interessante: Os gemidos de Hooker e o trompete de Davis acompanhados por uma banda impressionante liderada pelo lendário Taj Mahal não podem dar errado. E no meio disso tudo podemos tirar algumas pérolas, como “Gloria’s Story” e as quase idênticas “Bank Robbery” e “End Credits” numa complicada fusão de blues e jazz.

01. Coming to Town
02. Empty Bank
03. Harry’s Phylosophy
04. Dolly’s Arrival
05. Harry And Dolly
06. Sawmill
07. Bank Robbery
08. Moanin’
09. Gloria’s Story
10. Harry Sets Up Sutton
11. Murder
12. Blackmail
13. End Credits

Baixe e deixe tocando, relaxe…

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John Lee Hooker – Plays And Sings The Blues (1961)


LP editado em 1961 pela Chess contendo as pérolas gravadas por Hooker em 1951-1952, acompanhado somente pela segunda guitarra de Eddie Kirkland. Outro clássico aonde podemos apreciar as músicas do início da carreira do Boogie Man que imortalizaram sua guitarra e a característica “batida de pé” e aonde – coisa pouco freqüente em sua discografia – nos presenteia com duas covers. “Worried Life Blues” de Big Maceo Merriweather e “Please Don’t Go” de Muddy Waters. É realmente gratificante ver como Hooker consegue fazer mágica usando tão poucos recursos, com uma música tão simples como o blues em si. Quando você inconscientemente começar a bater o pé ao ritmo da música enquanto estiver ouvindo a esse disco gravado a mais de 50 anos atrás, lembre-se: o blues te pegou, e agora não tem mais volta atrás.

01. The Journey
02. I Don’t Want Your Money
03. Hey Baby, You Look Good to Me
04. Mad Man Blues
05. Bluebird
06. Worried Life Blues
07. Apologize
08. Lonely Boy Boogie
09. Please Don’t Go
10. Dreamin’ Blues
11. Hey Boogie
12. Just Me and My Telephone

Baixe, escute, e bata o pé:

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John Lee Hooker – Urban Blues (1967)


Disco lançado pela Bluesway, originalmente gravado em três sessões – duas em Chicago nos dias 26 de setembro e 27 de novembro de 1967 e outra em Los Angeles dia 29 de Maio de 1969. Tocando com banda – e que banda – Hooker se beneficia de uma batida mais sólida para soltar livremente sua inconfundível guitarra e seu cantar peculiar. Músicas como “Boom Boom” ou “Mr. Lucky” são clássicos incontestes da história do blues. Em “The Motor City Is Burning” o mestre canta sobre as grandes mudanças que experimentava vivendo na Detroit dos sessenta e “Want Ad Blues” é hoje tão atual como na época em que foi gravada. Por muitos considerado um disco de transição entre sua época solo e sua posterior fase tocando principalmente com bandas, esse disco é pra mim um dos melhores blues dos sessenta, sem sombra de dúvida. Espero que pra vocês também.

01. Cry Before I Go
02. Boom Boom Boom
03. Backbiters & Syndicaters
04. Mr. Lucky
05. My Own Blues
06. I Can`t Stand to Leave You
07. Think Twice Before You Go
08. I'm Standing in Line
09. Hot Spring Water Pt. 1
10. Hot Spring Water Pt. 2
11. The Motor City is Burning
12. Want Ad Blues

Baixe e escute ao blues urbano de Hooker:

http://www.zshare.net/download/92498150d0c50827/

Grandes Nomes do Blues 18 – John Lee Hooker

John Lee Hooker nasceu no dia 22 de agosto de 1917 perto de Clarksdale, Mississippi. O cantor Tony Hollins lhe presenteou com seu primeiro instrumento, mas foi seu padastro, Will Moore, quem lhe ensinou a tocar. Moore tocava em bares e casas de espetáculos no Delta e costumava acompanhar a Charley Patton e a Son House. Hooker herdou os parâmetros rítmicos de seu padastro, os quais acabou por chamar “boogie”.

Em 1933 John Lee Hooker deixou atrás sua família e o Mississippi para tocar, primeiro em Memphis e depois em Cincinatti, aonde se instalaria durante alguns anos. Encontrou trabalho fixo enquanto reservava os fins de semana para tocar em festas particulares, nas ruas, ou em vários quartetos de gospel. Em 1943 mudou-se para Detroit. Mesmo conseguindo tocar em bares na região da rua Hastings, continuou com seu emprego diurno até ser descoberto por Bernie Bessman. Hooker faria sua estréia para o selo Sensation em setembro de 1948.

O primeiro disco de Hooker, “Boogie Chillen”, foi um sucesso. Bessman conhecia as limitações da Sensation – era um selo local à mercê da distribuidora Pan American Record Distributors – de forma que registrou “Boogie Chillen” na Modern Records de Los Angeles para dar-lhe o alcance nacional que ele não poderia garantir. O disco chegou ao número um das listas da “Race Records” da revista Billboard, dando assim o tiro de largada à carreira musical de Hooker. Após a comercialização do disco muitas companhias viriam a contratá-lo, sob inúmeros pseudônimos: “Texas Slim” para a King Records, “Delta John” para a Regent, “Birmingham Sam” para a Savoy, “Johnny Williams” para a Prize, para a Staff e para a Gotham, “Boogie Man” para a Acorn, e John Lee Hooker para a Chance e para a Chess. Porém nada disso afetou as vendas da Modern porque os êxitos continuaram com “Hobo Blues”, “Crawling King Snake Blues” e o número um das listas de R&B da Billboard “I’m In The Mood”. A última coisa com que Hooker se preocupou durante quase toda a sua carreira foram os pormenores de seus contratos discográficos.

Entre 1948 e 1951 Hooker trabalhou normalmente em Detroit, sozinho ou com os Boogie Ramblers. Quando sozinho – ou formando um duo – não seguia um único parâmetro e aludia à estrutura de 12 compassos, e quando em grupo geralmente seguia o formato tradicional. Seu primeiro grande trabalho viria em 1952 acompanhado pela segunda guitarra de Eddie Kirkland e somente a partir de 1955, pela Vee Jay, Hooker gravaria regularmente com o grupo. “Boom Boom” foi o maior sucesso dessa época.

Os discos de Hooker foram comercializados em formato LP a partir dos anos sessenta. Por outro lado, sua presença nos festivais Newport Folk e Newport Jazz de 1960 fez crescer o seu público pela primeira vez entre os universitários brancos. A partir de 1962 não parou de fazer shows e tocar em salas especializadas na Europa e America. Em 1966 assinou um contrato de três anos com a Bluesway que gerou excelentes discos com bandas de blues, mas o selo quebrou, e a companhia ABC Records, sócia da primeira, não tardou em atar a Hooker. Vários selos europeus também quiseram gravá-lo. Em 1970 Hooker fez uma colaboração com o grupo californiano Canned Heat, o que gerou o álbum “Hooker’n Heat” de 1971 e que serviu como apresentação aos fãs de rock’n roll.

O último e glorioso capitulo de sua carreira se enquadra dentro da associação com a Rosebud Agency, empresa que se ocupou de sua agenda durante os anos oitenta. Paralelamente, nasceria a relação de amizade entre Hooker e Carlos Santana, o que nos presentearia com “The Healer” de 1989, disco que o relançaria novamente ao estrelato. Em 1990 gravaria a trilha sonora do filme “The Hot Spot” em parceria com Taj Mahal e Miles Davis. Hooker continuaria atuando de vez em quando, gravando e recebendo prêmios até sua morte em 2001.

A partir desse post começo com uma atualização na série grandes nomes do blues. Ao invés de postar um disco de cada músico, a partir de agora – e principalmente pela maior quantidade de material disponível – disponibilizarei para deleite de meus leitores uma série de discos de cada um dos grandes nomes, começando com o inigualável John Lee Hooker. Espero que seja do agrado de todos.