sábado, 30 de maio de 2009

T-Bone Walker – T-Bone’s Blues (1959)


Originalmente lançado pela Atlantic em 1959, com 11 faixas gravadas entre 1955 e 1957, essa reedição de 1994 possui ainda 4 faixas bonus, entre elas “Why Not” – que posteriormente Jimmy Rogers regravaria mudando o título para “Walkin’ By Myself” e roubando os créditos para si – e uma inspiradíssima reverência a Leroy Carr na regravação de “How Long Blues”. Talvez o melhor disco gravado por Walker, suas faixas são quase que inteiramente regravações de músicas suas dos anos 40 com uma banda de apoio que contava com ninguém menos que Junior Wells, Jimmi Rogers, Ransom Knowling, Lloyd Glenn, John “Plas” Johnson Jr., Edward Chamblee, Mack Easton e Earl Hines. Além de um elenco de luxo como esse, a voz e a guitarra de Walker são soberbos. É só escutar aos seus inspirados solos em “Blues For Marili”, “Mean Old World”, no clássico “T-Bone Blues” ou “Papa Ain’t Salty”, nos deliciosos duetos com Little Walter Jacobs de 1955 em “Play On Little Girl” e “T-Bone Blues Special”, e na espetacular regravação de “Call It Stormy Monday” aonde consegue recapturar a essência a gravação original de 1947 com maior fidelidade. E ainda por cima podemos escutar na instrumental “Two Bones And A Pick” o duelo de Walker com R.S. Rankin e com o jazzman Barney Kessel. Um disco essencial para qualquer coleção de blues elétrico.

01- Papa Ain`t Salty
02- Why Not
03- T-Bone Shuffle
04- Play On Little Girl
05- T-Bone Blues Special
06- Mean Old World
07- T-Bone Blues
08- Call It Stormy Monday
09- Blues For Marili
10- Shufflin’ The Blues
11- Evening
12- Two Bones And A Pick
13- You Don’t Know What You’re Doing
14- How Long Blues
15- Blues Rock

Baixe e escute:

http://www.zshare.net/download/92500364f789fcef/

T-Bone Walker & B.B. King

Aniversário do B.B. King - Convidado especial: T-Bone

segunda-feira, 25 de maio de 2009

T-Bone Walker – Stormy Monday – The Complete Black & White Sessions (2004)


CD duplo com 48 faixas das gravações feitas por Walker para a falecida Black & White nos anos quarenta. Aqui se pode apreciar a fase mais importante da evolução de Walker como artista, aonde ele aperfeiçoou seu estilo de tocar a guitarra convertendo-se numa importante influência para todos os guitarristas de B.B. King pra baixo. Podemos também ver aqui sua transição do jazz a um jump blues mais orientado ao R&B, sendo ele um músico chave nesse estilo. Essas sessões – que incluem a gravação original de sua famosíssima “Call It Stormy Monday” – nos dão uma ótima introdução ao som de Walker e pode-se facilmente verificar o quão forte foi sua influência sobre o blues, o jazz, e mesmo o rock que veio depois.

Cd-1

01. Long Lost Lover Blues
02. Go Back To The One You Love
03. She Had To Let Me Down
04. Lonesome Woman Blues
05. T-Bone Jumps Again
06. T-Bone Shuffle
07. Misfortune Blues
08. Call It Stormy Monday But Tuesday Is Just As Bad
09. Don't Give Me The Runaround
10. Plain Old Down Home Blues
11. The Time Seems So Long
12. No Worry Blues
13. Dream Girl Blues
14. Long Skirt Baby Blues
15. That's Better For Me
16. Home Town Blues
17. I'm Still In Love With You
18. She's The No-Sleepin'est Woman
19. Triflin' Woman Blues
20. Hard Pain Blues
21. I'm In An Awful Mood
22. Wise Man Blues
23. Natural Blues
24. Inspiration Blues
25. Born To Be No Good

Cd-2

01. West Side Baby
02. Hypin' Side Baby
03. You're My Best Poker Hand
04. Description Blues
05. Don't Leave Me Baby
06. She's My Old Time Used To Be
07. I'm Waiting For Your Call
08. Bobby Sox Baby
09. First Love Blues
10. It's A Lowdown Dirty Deal
11. Midnight Blues
12. I'm Gonna Find My Baby
13. I Wish You Were Mine
14. I Want A Little Girl
15. Vacation Blues
16. Goodbye Blues
17. On Your Way Blues
18. I Know Your Wig Is Gone
19. I'm Gonna Move You Out And Get Somebody Else
20. Too Much Trouble Blues
21. So Blue Blues
22. Prison Blues
23. That Old Feelin' Is Gone

Baixe aqui e escute, bem alto:

http://www.zshare.net/download/9250016839ca6b38/

Grandes Nomes do Blues 20 – T-Bone Walker


Aaron Thibeaux Walker nasceu em Linden, Texas, no 28 de maio de 1910 e foi o único filho de Rance e Movelia Walker. Em 1912 a família se mudou a Dallas, aonde o jovem Aaron serviria de guia a Blind Lemon Jefferson pelas ruas da cidade antes de aprender a tocar a guitarra e se perder com artistas ambulantes durante os anos vinte. Até 1929, ano em que debutou pela Columbia com “Trinity River Blues” e “Wichita Falls Blues” assinando com o pseudônimo de Oak Cliff T-Bone (sendo T-Bone um jogo fonético de seu próprio sobrenome).

Walker tinha trabalhado localmente com Cab Calloway e Ma Rainey antes de partir em direção a Los Angeles em 1934 e buscar a vida: o primeiro passo foi formar um grupo para tocar no Little Harlem Club. O segundo passo foi gravar uma música (“T-Bone’s Blues”) com o grupo e acompanhado pela orquestra Les Hite antes de sair de turnê por Chicago e Nova York entre 1939 e 1940. De volta, modificou seu grupo e seguiu tocando para o Little Harlem Club. Já em 1942 compareceu a estúdios de gravação com sua guitarra para colaborar com a orquestra de Freddie Slack, e, acabadas as sessões, os responsáveis do selo Capitol Records decidiram gravar mais duas músicas: “Mean Old World” e “I Got A Break Baby”. Uma decisão acertada, pois a carreira de Walker viu-se relançada, permitindo-lhe seguir com suas turnês, tocar em clubes exclusivos para brancos em Washington, parar freqüentemente de 1942 a 1945 na sala Rhumboogie de Chicago, e ainda voltar a gravar, em 1945, para os selos Rhumboogie e Mercury.

Em setembro de 1946, pelas mãos do produtor Ralph Bass, Walker assinou um contrato exclusivo com o selo Black & White que o levaria a gravar, em 15 meses, 49 títulos entre os quais se encontram os mais importantes de sua carreira, como “Call It Stormy Monday” ou “T-Bone Shuffle”. Além disso, suas revolucionárias atuações o ajudaram a triunfar, especialmente por excentricidades como tocar a guitarra por trás da cabeça ou cuspir no palco. Em 1948 as vendas foram interrompidas devido à segunda greve da AFM, mas como não tinha parado de gravar anteriormente, 1950 foi um ano prolífico para ele. Lamentavelmente, seu selo – Black & White – não agüentou e quebrou, e os direitos de Walker foram adquiridos pela Capitol Records.

Na primavera de 1950, Walker decidiu-se pela Imperial Records e, dos 52 títulos que gravaria para esse selo nenhum chegaria às listas nacionais, mesmo sendo um trabalho de indiscutível qualidade. O mesmo aconteceu em 1955 com a Atlantic: nenhum êxito relevante, mas uma música memorável. Instalou-se em Los Angeles e continuou fazendo turnês.

Em 1962 Walker participou no American Folk Blues Festival, uma série de shows pela Europa que lhe serviram para mais tarde cercar-se de colaboradores, o que lhe permitia cruzar o Atlântico com freqüência. Era uma figura nos EUA e também na Europa, aonde chegou a gravar para diversos selos e em diferentes países: o álbum Good Feelin’ (1969) publicado pela Polydor ganhou um Grammy em 1970. Continuou dedicando-se à música até pouco antes de morrer.

Walker não despontou como cantor de blues, mas tinha as qualidades de um bom “crooner”; destacou-se por sua arte com a guitarra: seu som, suas frases pausadas e sua habilidade com a edição são as características de um estilo que foi referência indispensável para quase toda a geração de guitarristas do pós-guerra, coisa que Walker jamais haveria sequer sonhado. Foi o intérprete mais prestigioso do novo som que estava sendo gestado nos anos quarenta, uma fusão entre o beebop e o blues que deu lugar a alguns híbridos apaixonantes. Sua forma de tocar a guitarra era blues, porém de uma forma parecida ao jazz, com notas articuladas de forma precisa como um trompete de jazz. Suas raivosas improvisações de acordes, repetidas freqüentemente pelos metais, tiveram uma legião de imitadores, mas poucos conseguiram reproduzir seus fraseio impecável e a profundidade dos monólogos de sua guitarra.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

John Lee Hooker - Boom Boom

Cena extraída do fantástico filme The Blues Brothers, de 1980, aonde, no caminho para resgatar a Matt "Guitar" Murphy das guarras de sua dominadora mulher - no caso ninguém menos que Aretha Franklin - Jake e Elwood se deparam com uns caras tocando na rua, assim como a coisa mais normal do mundo. Nem mesmo o roteirista do filme - o próprio Dan Aykroid - encontrou uma palavra melhor para descrever tal experiência além de um singelo e reverente "Yeap!". Espetacular também o nome do restaurante de Aretha e Murphy, "Soul Food Café", e a briga final pela autoria da música.

Big Joe Turner - Shake, Rattle And Roll

Um vídeo com a conhecidíssima música de Turner, popularizada posteriormente por Bill Haley e seus cometas - um branco, obviamente. Esse é o começo do que hoje conhecemos como rock.

Big Joe Turner – Rock’N Roll Legend (2008)


Ultima coletânea lançada mostrando sua tremenda influência no que viria a ser o Rock’N Roll que todos conhecemos. Sem mais explicações.

01. Shake Rattle & Roll
02. Honey Hush
03. Flip Flop And Fly
04. Boogie Woogie Country Girl
05. Chains Of Love
06. Lipstick Powder And Paint
07. Rock A While
08. Corinne Corrina
09. Love Roller Coaster
10.Teenage Letter
11.Feeling Happy
12.Midnight Special Train
13.Hide And Seek
14.Ti-Ri-Lee
15.In The Evening (When The Sun Goes Down)
16.Well All Right
17.You Know I Love You
18.Don't You Cry
19.The Chicken And The Hawk
20.Married Woman
21.Oke-She-Moke-She-Pop
22.The Chill Is On
23.Sweet Sixteen
24.TV Mama
25.Cherry Red
26.Low Down Dog
27.Morning Glories
28.Roll 'em Pete

Baixe e escute aos primórdios do bom e já velho rock:

http://www.zshare.net/download/9249927986911dfa/

Big Joe Turner – Roll’Em (1995)


Editado pela coletanea “The Blues Collection”, esse disco reúne alguns dos clássicos de Big Joe do início de sua carreira, mais especificamente de 1939 a 1949, junto ao grande pianista de boogie Pete Johnson e gravados por vários selos como Vocalion, Varsity, Stag, Decca e MGM. Uma boa introdução para esse gigante da música.

01. Roll 'Em Pete
02. Baby, Look At You
03. Lovin' Mama Blues
04. Cafe Society Rag
05. Shake It And Break It
06. Goin' Away Blues
07. Cherry Red
08. How Long, How Long Blues
09. Low Down Dirty Shame Blues
10. Joe Turner Blues
11. Beale Street Blues
12. I Got A Gal For Every Day In The Week
13. It's The Same Old Story
14. Around The Clock
15. Married Woman Blues

Baixe e escute:

http://www.zshare.net/download/92499149a4932cfc/

Big Joe Turner & Roomful of Blues – Blues Train (1982)


A combinação da portentosa voz de Big Joe com o swing da banda Roomful of Blues nos presenteia um belíssimo disco repleto de grandes interpretações de clássicos, que conta ainda com a participação mais do que especial de Dr. John em “I Want A Little Girl”. Turner, que navegou por tantas águas – Kansas City Swing, Jump Blues, Rhythm and Blues e, porque não, do Rock’n Roll em seus primórdios – é um shouter espetacular e, aos seus 72 anos sentiu-se inspirado pela oportunidade de gravar com os Roomful of Blues reinterpretações dos clássicos que compõem esse álbum seminal. Os músicos que acompanharam Turner ao longo de sua carreira sempre foram do mais alto nível, e esse disco segue a regra. Como ele mesmo sempre diz, “well all-right!”

01. Crawdad Hole
02. Red Sails In The Sunset
03. Cock-A-Doodle-Doo
04. Jumpin’ For Joe
05. I Want A Little Girl
06. Blues Train
07. I Know You Love Me
08. Last Night
09. I Love The Way (My Baby Sings The Blues)

Baixe e escute ao trem do blues:

http://www.sendspace.com/file/vd2349

Grandes Nomes do Blues 19 – Big Joe Turner


Joseph Vernon Turner nasceu dia 18 de maio de 1911 em Kansas City, Missouri. Abandonou o colégio na primária para trabalhar na rua junto a músicos cegos que lhe impregnaram do blues que se respirava no ambiente da cidade, e que o levaram a compor suas próprias letras – apesar de Turner ter sido analfabeto funcional e de jamais aprender a ler ou escrever corretamente.

Quando adolescente afirmava ter estudado a Leroy Carr, Lonnie Johnson, Bessie Smith e Ethel Waters, e com 17 anos já tinha atuado junto a Pete Johnson no Backbiter’s Club. Como não existiam microfones na época, reza a lenda de que sua portentosa voz se podia ouvir a dez quarteirões de distancia. Nascia assim um novo tipo de cantor de blues: o blues “shouter”.

No começo dos anos trinta, Turner e Johnson se mudaram ao Black and Tan, o club aonde Turner se aproveitaria para aprender a como administrar um bar. Quando, em 1933, aboliu-se a Lei Seca, a dupla foi ao Cherry Blossom, um lugar maior com pista de dança e a orquestra de George E. Lee incluída. Durante esse período ambos aproveitaram para conhecer a Omaha e St. Louis. Em 1935 voltaram a transladar-se – dessa vez ao Sunset Café – ao lugar aonde John Hammond lhes ouviria e terminaria por convidar-lhes a participar do show Spirituals To Swing em Nova York. Tamanha vitrine lhes permitiu juntar forças com Albert Ammons e Meade “Lux” Lewis e começar um período de quatro anos na casa de espetáculos Café Society, especializada em música negra. Johnson e Turner estrearam para a Vocalion, porém Joe terminaria por mudar-se à Deca em 1940. As bandas de jazz lutavam por tocar com Turner, que colaborou com Varsity Seven, Benny Carter, Joe Sullivan e Art Tatum, e que ainda soube cercar-se de pianistas como Sammy Price ou Willie “The Lion” Smith para gravar seus próprios discos.

No verão de 1941 Turner foi a Los Angeles para participar do musical Jump For Joy de Duke Ellington. Turner aderiu-se ao espetáculo já estreado, mas Ellington tinha lhe preparado um blues para cantar quanto chegasse: “Rocks In My Bed”. O musical durou até o final de setembro e esse foi o ato central que Turner interpretou e que lhe permitiu voltar ao Café Society de Nova York.

Foi contratado pela National Records em 1945 e gravou em Nova York, Chicago e Los Angeles acompanhado de pequenos grupos, que geralmente incluíam sopros. Entre 1947 e 1948 gravou sessões na Califórnia para os selos Aladdin, Swingtime e MGM. Instalou-se em Nova Orleans no final dos quarenta até assinar um contrato com a Atlantic Records e começar assim seu período de máxima popularidade.

Os sócios da Atlantic – Ahmet Ertegun e Herb Agrahamson – pressentiram que Turner poderia prosperar no R&B, um gênero que cativava à audiência negra. Efetivamente, Turner não decepcionou lançando sucessos como “Chains Of Love”, “Honey Hush” ou “Shake, Rattle & Roll”, e preparando seu salto definitivo do blues ao imediato Rock’n Roll. Gravou em Chicago (acompanhado pela guitarra de Elmore James) e em Nova Orleans, e mais freqüentemente em Nova York, com arranjos de Jesse Stone. A Atlantic aproveitou ainda para reunir Turner e Pete Johnson num disco de jazz: The Boss Of The Blues (1956). A parceria com a Atlantic durou até 1961, e depois disso Turner gravou por sua conta com outros selos.

Mudou-se para o sul da Califórnia durante os anos cinqüenta e dificilmente saía do estado para atuar, pelo menos nos EUA, pois se converteu num “habituè” do circuito europeu nos anos sessenta. Finalmente, Norman Granz e o selo Pablo reconduziram a carreira de Turner ao editar com regularidade – e até sua morte – vários LP junto a estrelas do jazz como Count Basie. O filme Last Of The Blues Devils (1979) – uma reunião de bluesistas de Kansas City dos anos trinta e quarenta – está repleto de canções suas. Foi nominado ao Grammy por seu disco Blues Train (1982) editado pela Muse e gravado pelo novo grupo de New England, Roomful of Blues.