sexta-feira, 22 de maio de 2009

Big Joe Turner & Roomful of Blues – Blues Train (1982)


A combinação da portentosa voz de Big Joe com o swing da banda Roomful of Blues nos presenteia um belíssimo disco repleto de grandes interpretações de clássicos, que conta ainda com a participação mais do que especial de Dr. John em “I Want A Little Girl”. Turner, que navegou por tantas águas – Kansas City Swing, Jump Blues, Rhythm and Blues e, porque não, do Rock’n Roll em seus primórdios – é um shouter espetacular e, aos seus 72 anos sentiu-se inspirado pela oportunidade de gravar com os Roomful of Blues reinterpretações dos clássicos que compõem esse álbum seminal. Os músicos que acompanharam Turner ao longo de sua carreira sempre foram do mais alto nível, e esse disco segue a regra. Como ele mesmo sempre diz, “well all-right!”

01. Crawdad Hole
02. Red Sails In The Sunset
03. Cock-A-Doodle-Doo
04. Jumpin’ For Joe
05. I Want A Little Girl
06. Blues Train
07. I Know You Love Me
08. Last Night
09. I Love The Way (My Baby Sings The Blues)

Baixe e escute ao trem do blues:

http://www.sendspace.com/file/vd2349

Grandes Nomes do Blues 19 – Big Joe Turner


Joseph Vernon Turner nasceu dia 18 de maio de 1911 em Kansas City, Missouri. Abandonou o colégio na primária para trabalhar na rua junto a músicos cegos que lhe impregnaram do blues que se respirava no ambiente da cidade, e que o levaram a compor suas próprias letras – apesar de Turner ter sido analfabeto funcional e de jamais aprender a ler ou escrever corretamente.

Quando adolescente afirmava ter estudado a Leroy Carr, Lonnie Johnson, Bessie Smith e Ethel Waters, e com 17 anos já tinha atuado junto a Pete Johnson no Backbiter’s Club. Como não existiam microfones na época, reza a lenda de que sua portentosa voz se podia ouvir a dez quarteirões de distancia. Nascia assim um novo tipo de cantor de blues: o blues “shouter”.

No começo dos anos trinta, Turner e Johnson se mudaram ao Black and Tan, o club aonde Turner se aproveitaria para aprender a como administrar um bar. Quando, em 1933, aboliu-se a Lei Seca, a dupla foi ao Cherry Blossom, um lugar maior com pista de dança e a orquestra de George E. Lee incluída. Durante esse período ambos aproveitaram para conhecer a Omaha e St. Louis. Em 1935 voltaram a transladar-se – dessa vez ao Sunset Café – ao lugar aonde John Hammond lhes ouviria e terminaria por convidar-lhes a participar do show Spirituals To Swing em Nova York. Tamanha vitrine lhes permitiu juntar forças com Albert Ammons e Meade “Lux” Lewis e começar um período de quatro anos na casa de espetáculos Café Society, especializada em música negra. Johnson e Turner estrearam para a Vocalion, porém Joe terminaria por mudar-se à Deca em 1940. As bandas de jazz lutavam por tocar com Turner, que colaborou com Varsity Seven, Benny Carter, Joe Sullivan e Art Tatum, e que ainda soube cercar-se de pianistas como Sammy Price ou Willie “The Lion” Smith para gravar seus próprios discos.

No verão de 1941 Turner foi a Los Angeles para participar do musical Jump For Joy de Duke Ellington. Turner aderiu-se ao espetáculo já estreado, mas Ellington tinha lhe preparado um blues para cantar quanto chegasse: “Rocks In My Bed”. O musical durou até o final de setembro e esse foi o ato central que Turner interpretou e que lhe permitiu voltar ao Café Society de Nova York.

Foi contratado pela National Records em 1945 e gravou em Nova York, Chicago e Los Angeles acompanhado de pequenos grupos, que geralmente incluíam sopros. Entre 1947 e 1948 gravou sessões na Califórnia para os selos Aladdin, Swingtime e MGM. Instalou-se em Nova Orleans no final dos quarenta até assinar um contrato com a Atlantic Records e começar assim seu período de máxima popularidade.

Os sócios da Atlantic – Ahmet Ertegun e Herb Agrahamson – pressentiram que Turner poderia prosperar no R&B, um gênero que cativava à audiência negra. Efetivamente, Turner não decepcionou lançando sucessos como “Chains Of Love”, “Honey Hush” ou “Shake, Rattle & Roll”, e preparando seu salto definitivo do blues ao imediato Rock’n Roll. Gravou em Chicago (acompanhado pela guitarra de Elmore James) e em Nova Orleans, e mais freqüentemente em Nova York, com arranjos de Jesse Stone. A Atlantic aproveitou ainda para reunir Turner e Pete Johnson num disco de jazz: The Boss Of The Blues (1956). A parceria com a Atlantic durou até 1961, e depois disso Turner gravou por sua conta com outros selos.

Mudou-se para o sul da Califórnia durante os anos cinqüenta e dificilmente saía do estado para atuar, pelo menos nos EUA, pois se converteu num “habituè” do circuito europeu nos anos sessenta. Finalmente, Norman Granz e o selo Pablo reconduziram a carreira de Turner ao editar com regularidade – e até sua morte – vários LP junto a estrelas do jazz como Count Basie. O filme Last Of The Blues Devils (1979) – uma reunião de bluesistas de Kansas City dos anos trinta e quarenta – está repleto de canções suas. Foi nominado ao Grammy por seu disco Blues Train (1982) editado pela Muse e gravado pelo novo grupo de New England, Roomful of Blues.

domingo, 17 de maio de 2009

John Lee Hooker – The Healer (1989)


Esse álbum pode ser considerado o renascimento de Hooker no blues moderno. É um disco espetacular para qualquer apreciador de blues ou mesmo de rock, e conta com colaborações mais que especiais de grandes nomes da música como Carlos Santana na faixa título – com esse toque latino que só a guitarra de Santana consegue dar – Bonnie Rait em “I’m in the Mood” – uma das melhores parcerias de Hooker na minha singela opinião; essa música é espetacular, e o jogo de vozes entre os dois faz dela melhor ainda – Los Lobos em “Think Twice Before You Go” é blues em estado puro, George Thorogood em “Sally Mae” – uma pérola acústica – Robert Cray em “Baby Lee”, Canned Heat em “Cuttin’ Out” e Charlie Musselwhite em “That’s Alright”. Um disco suave, romântico, clássico, com uma qualidade musical excepcional e a inconfundível voz de Hooker como linha maestra em todas as faixas mostrando ter envelhecido como um bom whisky, para ser bebido com o respeito devido.

Baixe e escute ao “curandeiro”:

http://www.zshare.net/download/92498716afe40399/

quarta-feira, 13 de maio de 2009

John Lee Hooker – It Serves You Right To Suffer (1966)


Só pelo título esse disco já deveria ser considerado um clássico desde seu lançamento. Não existe título mais blues que esse. Mas, como diriam os roteiristas dos comerciais de televendas, não é só isso. Originalmente lançado pela Impulse em 1966, esse álbum contém blues de primeira qualidade impregnado com o “boogie groove” que só ele sabia fazer. O tempo avançado de “Shake it Baby”, o ritmo justo e relaxado de “Country Boy”, a dançante “Bottle Up & Go”, a sexy “Sugar Mama” e o tão conhecido mood de Hooker na faixa título são o suficiente para fazer desse disco um dos grandes do blues. E ainda tem Money...

01. Shake it Baby
02. Country Boy
03. Bottle Up And Go
04. You’re Gone
05. Sugar Mama
06. Decoration Day
07. Money (That’s What I Want)
08. It Serves You Right To Suffer

Não preciso falar mais nada… Baixa e escuta você mesmo…

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The Hot Spot – Original Motion Picture Soundtrack (1990)


Miles Davis, John Lee Hooker e Taj Mahal juntos no mesmo disco... Não sei se preciso continuar escrevendo... Bom, antes de mais nada, deve-se levar em consideração que isso é a trilha sonora de um filme, e todas as músicas foram pensadas e compostas com esse fim. Geralmente não gosto de trilhas sonoras. Me atreveria dizer que posso contar nos dedos das mãos as que considero realmente boas. Mas ainda assim é uma mistura interessante: Os gemidos de Hooker e o trompete de Davis acompanhados por uma banda impressionante liderada pelo lendário Taj Mahal não podem dar errado. E no meio disso tudo podemos tirar algumas pérolas, como “Gloria’s Story” e as quase idênticas “Bank Robbery” e “End Credits” numa complicada fusão de blues e jazz.

01. Coming to Town
02. Empty Bank
03. Harry’s Phylosophy
04. Dolly’s Arrival
05. Harry And Dolly
06. Sawmill
07. Bank Robbery
08. Moanin’
09. Gloria’s Story
10. Harry Sets Up Sutton
11. Murder
12. Blackmail
13. End Credits

Baixe e deixe tocando, relaxe…

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John Lee Hooker – Plays And Sings The Blues (1961)


LP editado em 1961 pela Chess contendo as pérolas gravadas por Hooker em 1951-1952, acompanhado somente pela segunda guitarra de Eddie Kirkland. Outro clássico aonde podemos apreciar as músicas do início da carreira do Boogie Man que imortalizaram sua guitarra e a característica “batida de pé” e aonde – coisa pouco freqüente em sua discografia – nos presenteia com duas covers. “Worried Life Blues” de Big Maceo Merriweather e “Please Don’t Go” de Muddy Waters. É realmente gratificante ver como Hooker consegue fazer mágica usando tão poucos recursos, com uma música tão simples como o blues em si. Quando você inconscientemente começar a bater o pé ao ritmo da música enquanto estiver ouvindo a esse disco gravado a mais de 50 anos atrás, lembre-se: o blues te pegou, e agora não tem mais volta atrás.

01. The Journey
02. I Don’t Want Your Money
03. Hey Baby, You Look Good to Me
04. Mad Man Blues
05. Bluebird
06. Worried Life Blues
07. Apologize
08. Lonely Boy Boogie
09. Please Don’t Go
10. Dreamin’ Blues
11. Hey Boogie
12. Just Me and My Telephone

Baixe, escute, e bata o pé:

http://www.zshare.net/download/70879288eada8b45/

John Lee Hooker – Urban Blues (1967)


Disco lançado pela Bluesway, originalmente gravado em três sessões – duas em Chicago nos dias 26 de setembro e 27 de novembro de 1967 e outra em Los Angeles dia 29 de Maio de 1969. Tocando com banda – e que banda – Hooker se beneficia de uma batida mais sólida para soltar livremente sua inconfundível guitarra e seu cantar peculiar. Músicas como “Boom Boom” ou “Mr. Lucky” são clássicos incontestes da história do blues. Em “The Motor City Is Burning” o mestre canta sobre as grandes mudanças que experimentava vivendo na Detroit dos sessenta e “Want Ad Blues” é hoje tão atual como na época em que foi gravada. Por muitos considerado um disco de transição entre sua época solo e sua posterior fase tocando principalmente com bandas, esse disco é pra mim um dos melhores blues dos sessenta, sem sombra de dúvida. Espero que pra vocês também.

01. Cry Before I Go
02. Boom Boom Boom
03. Backbiters & Syndicaters
04. Mr. Lucky
05. My Own Blues
06. I Can`t Stand to Leave You
07. Think Twice Before You Go
08. I'm Standing in Line
09. Hot Spring Water Pt. 1
10. Hot Spring Water Pt. 2
11. The Motor City is Burning
12. Want Ad Blues

Baixe e escute ao blues urbano de Hooker:

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Grandes Nomes do Blues 18 – John Lee Hooker

John Lee Hooker nasceu no dia 22 de agosto de 1917 perto de Clarksdale, Mississippi. O cantor Tony Hollins lhe presenteou com seu primeiro instrumento, mas foi seu padastro, Will Moore, quem lhe ensinou a tocar. Moore tocava em bares e casas de espetáculos no Delta e costumava acompanhar a Charley Patton e a Son House. Hooker herdou os parâmetros rítmicos de seu padastro, os quais acabou por chamar “boogie”.

Em 1933 John Lee Hooker deixou atrás sua família e o Mississippi para tocar, primeiro em Memphis e depois em Cincinatti, aonde se instalaria durante alguns anos. Encontrou trabalho fixo enquanto reservava os fins de semana para tocar em festas particulares, nas ruas, ou em vários quartetos de gospel. Em 1943 mudou-se para Detroit. Mesmo conseguindo tocar em bares na região da rua Hastings, continuou com seu emprego diurno até ser descoberto por Bernie Bessman. Hooker faria sua estréia para o selo Sensation em setembro de 1948.

O primeiro disco de Hooker, “Boogie Chillen”, foi um sucesso. Bessman conhecia as limitações da Sensation – era um selo local à mercê da distribuidora Pan American Record Distributors – de forma que registrou “Boogie Chillen” na Modern Records de Los Angeles para dar-lhe o alcance nacional que ele não poderia garantir. O disco chegou ao número um das listas da “Race Records” da revista Billboard, dando assim o tiro de largada à carreira musical de Hooker. Após a comercialização do disco muitas companhias viriam a contratá-lo, sob inúmeros pseudônimos: “Texas Slim” para a King Records, “Delta John” para a Regent, “Birmingham Sam” para a Savoy, “Johnny Williams” para a Prize, para a Staff e para a Gotham, “Boogie Man” para a Acorn, e John Lee Hooker para a Chance e para a Chess. Porém nada disso afetou as vendas da Modern porque os êxitos continuaram com “Hobo Blues”, “Crawling King Snake Blues” e o número um das listas de R&B da Billboard “I’m In The Mood”. A última coisa com que Hooker se preocupou durante quase toda a sua carreira foram os pormenores de seus contratos discográficos.

Entre 1948 e 1951 Hooker trabalhou normalmente em Detroit, sozinho ou com os Boogie Ramblers. Quando sozinho – ou formando um duo – não seguia um único parâmetro e aludia à estrutura de 12 compassos, e quando em grupo geralmente seguia o formato tradicional. Seu primeiro grande trabalho viria em 1952 acompanhado pela segunda guitarra de Eddie Kirkland e somente a partir de 1955, pela Vee Jay, Hooker gravaria regularmente com o grupo. “Boom Boom” foi o maior sucesso dessa época.

Os discos de Hooker foram comercializados em formato LP a partir dos anos sessenta. Por outro lado, sua presença nos festivais Newport Folk e Newport Jazz de 1960 fez crescer o seu público pela primeira vez entre os universitários brancos. A partir de 1962 não parou de fazer shows e tocar em salas especializadas na Europa e America. Em 1966 assinou um contrato de três anos com a Bluesway que gerou excelentes discos com bandas de blues, mas o selo quebrou, e a companhia ABC Records, sócia da primeira, não tardou em atar a Hooker. Vários selos europeus também quiseram gravá-lo. Em 1970 Hooker fez uma colaboração com o grupo californiano Canned Heat, o que gerou o álbum “Hooker’n Heat” de 1971 e que serviu como apresentação aos fãs de rock’n roll.

O último e glorioso capitulo de sua carreira se enquadra dentro da associação com a Rosebud Agency, empresa que se ocupou de sua agenda durante os anos oitenta. Paralelamente, nasceria a relação de amizade entre Hooker e Carlos Santana, o que nos presentearia com “The Healer” de 1989, disco que o relançaria novamente ao estrelato. Em 1990 gravaria a trilha sonora do filme “The Hot Spot” em parceria com Taj Mahal e Miles Davis. Hooker continuaria atuando de vez em quando, gravando e recebendo prêmios até sua morte em 2001.

A partir desse post começo com uma atualização na série grandes nomes do blues. Ao invés de postar um disco de cada músico, a partir de agora – e principalmente pela maior quantidade de material disponível – disponibilizarei para deleite de meus leitores uma série de discos de cada um dos grandes nomes, começando com o inigualável John Lee Hooker. Espero que seja do agrado de todos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

RALA QUE ROLA

Sei que nao tem nada a ver com o conteúdo geral desse blog, mas nao poderia deixar passar...